Vereador de Rio Branco, fiscal do Estado, tem “salário de marajá”, trabalha 4 dias ao mês, enquanto os demais cumprem jornada puxada com renda inferior

A escala de fiscais para o mês de dezembro confirma privilégios ao vereador de Rio Branco, Mamed Dankar Neto, do PT. Ele aparece como plantonista em apenas quatro dias, enquanto os demais colegas serão obrigados a comparecer em até nove plantões no último mês do ano. Dankar foi escalado para trabalhar somente no posto fiscal da Tucandeira. Os demais fiscais terão que se deslocar em quatro postos de fiscalização diferentes. Outra informação que chama atenção é o salário atribuído ao vereador: em torno de R$ 11 mil, segundo publicações da imprensa local, para cumprir uma carga horária “de marajá”, como alfinetou um servidor do Instituto de Defesa Agropecuária (Idaf), onde o parlamentar é lotado. Os demais fiscais recebem pouco mais de R$ 2 mil.

Dankar é tecnólogo em Topografia e Estradas, do quadro da Secretaria de Agricultura Estadual, e está cedido ao Idaf. Seu salário é pago pelo Estado do Acre. Somado à remuneração de vereador, a renda mensal dele chega a R$ 30 mil. O parlamentar obteve parecer favorável da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para acumular as duas funções, sem prejuízo para os salários, desde que a escala de fiscal não interfira na atribuição de legislador.

No entanto, esse argumento é contraditório, uma vez que, segundo a máxima nos parlamentos, homem público não tem hora para exercer suas atividades legislativas. O Regimento Interno da Câmara Municipal permite a ocupação da função desde que não seja em horário das sessões no Legislativo.