Três secretários demitidos num governo desarticulado, de base política preguiçosa, loteado por bajuladores, que alimenta chantagistas e não se comunica

O acjornal aceitou o desafio do governador Gladson Cameli e apresenta, em breves resumos, a retrospectiva dos 5 meses de gestão no Acre. É muito difícil fazer uma avaliação positiva daquele que tinha tudo para ser um projeto político duradouro e que fizesse os acreanos esquecer os 20 anos de administração petista.

Gladson assumiu o governo em meio a muitas expectativas e esperança, embalado por promessas de campanha pró desenvolvimento e pela abertura da economia do Acre rumo ao emprego. Não é normal demitir três secretários em tão pouco tempo. 

Faz de conta

Com uma transição mal feita e sem se apropriar das informações mais complexas que norteiam uma gestão, Gladson posou de compadre do seu antecessor. Não abriu a caixa preta do PT, como prometera na campanha. Optou por tomar bordoadas, da imprensa e nas redes sociais, assumindo, estranhamente, um problema que não é seu. A trôco de quê? A verdade é que a máquina, a partir de janeiro, começou a ser inchada, e por gente que antes jamais tirava a camisa vermelha. O PT está infiltrado, literalmente !

Reforma 

Propôs uma reforma administrativa repleta de equívocos.Onde já se viu extinguir órgãos que garimpam verbas internacionais? Só após tomar alguns safanões decidiu fazer o ajuste da reforma. Vieram mais trapalhadas: os 900 cargos, que pareciam imexíveis, saltaram para 1.350. E tome pressão para apadrinhas, com CEC´s, os aliados que não páram de atormendar a vida do governador, inclusive expondo-o ao ridículo, nos quatro cantos do Acre. O discurso de diminuir o tamanho da máquina pública era mentira !

Trem da alegria

Foram muitas nomeações contestadas e atos com características de impropriedade, como as da AGEAC e AcrePrevidencia.  É pior quando se nomeia e, no dia seguinte, se é obrigado a “desnomear”. Aliás, o assessoramento ao governador, pela Casa Civil, é um desastre. Oito em cada 10 secretários acreditam que Cameli assina coisas que não são discutida previamente.

Também chamou muito atenção o tamanho da fatia dada ao PSDB, sobre a liderança do Vice Major Rocha, que ficou com o comando das nomeações de todos os espaços do sistema de segurança Pública. Não se pontua uma área sequer na gestão que não tenha proporcionado muita confusão e desentendimentos. O grupo que fez oposição ao PT por 20 anos parece não ter se preparado para governar.

Vamos avaliar outras áreas da gestão Cameli?

Educação

Aqui aconteceu o primeiro desgaste do governo Gladson, que deu uma bola fora no processo seletivo e na lotação dos professores, causando transtorno e atraso do Ano Letivo no estado e no inteiro. Resistência em negociar com o sindicato da categoria, que acusa burocratização exacerbada da SEE. 

Segurança pública

Em meio a guerra das facções, a população apostou na experiência do Vice governador Major Rocha, que é militar e apontava cresceu politicamente ao apontar o dedo ao governo passado, segundo ele incompetente para vencer a criminalidade. O discurso gerou esperança em dias de paz. Passado cinco meses de governo, o crime se mantém dominando as periferias do Acre. O secretário de segurança chegou prometendo a paz em 10 dias. Estamos esperando sentados , mas impacientes.

A polícia Civil passou por uma crise interna, com delegados brigando entre si, com rebaixamento da secretaria para departamento e tentativa de mudar o estatuto da Polícia Militar, secretário demitido, o que tem gerado um desgaste geral na Caserna. Soldados e cabos estão tiriricas com a proposta que praticamente dobra o tempo de serviço na patente para que tenham direito a promoções. Um presentaço de grego que murchou o conceito do Rocha nos quartéis. Ajudante de ordens do próprio vice governador fatura R$ 30 mil como ativo e inativo do estado, consome diárias, é alvo de denúncias, mas o governo não se manifesta. E dizem que esta é apenas a ponta do iceberg. Para não dizer que não falei das flores, o estado se esforça para tomar as rédeas nos presídios acreanos e renovou os contratos dos agentes Sócio Educativos do ISE.

Saude

Gargalo de todo governo. Mesmo decretando estado de Calamidade pública no Sistema, tem patinando na falta daquilo que mais criticou na campanha: gestão. O secretário foi demitido. Só ele, enquanto os demais diretores foram mantidos no cargo. Alisson não teve autonomia de montar sua equipe e o caos se instalou, de Assis Brasil a Mâncio Lima. Pode ter sido vítima de fornecedores e prestadores de serviços criminosos, habituados ao trânsito livre pelos corredores da Sesacre.

Faltam de médicos, enfermeiros e gente nas áreas administrativas. Para se ter uma noção da caótica situação na saúde, o próprio governador denunciou um possível cartel dentro da pasta, que segundo ele pode está cometendo diversos crimes. O processo seletivo para humanizar o atendimento precisou ser cancelado, após a descobertas de fraudes na avaliação curricular dos candidatos. O Sindicato da Saúde que outrora foi bastante aguerrido e na atuação da defesa das mais diversas pautas, teve alguns dirigentes contemplados com nomeações e acomodações de parentes no governo, o que foi determinante para o silêncio diante da quebradeira. Corredores superlotados, idosos e crianças maltratados, médicos fugindo impunemente de seus plantões, parturientes dando à luz no banco da maternidade são situações vexatórias que não poderiam ser esquecidas. 

O Pró Saúde que também tem problemas trazidos do governo anterior virou uma incógnita e mais se mil trabalhadores ainda não sabem como ficará seu futuro profissional. Não podemos deixar de pontuar que, a Saúde deu uma das maiores proporcionalidade de apoio e votos ao governador Gladson. Dias atrás o próprio governador garantiu a regularização dos profissionais do Pró Saúde, mesmo sabendo que será uma tarefa quase impossível.

Comunicação que não se Comunica

A pasta da comunicação causou muitos desencontros ao governo até aqui, mesmo com um orçamento milionário, patina nos interesses de alguns veículos de mídia, que se acotovelam pela chamada verba da mídia. A exoneração do Porta Voz Rogério Wenceslau tem pitadas de censura. Ficou apenas dois meses no cargo e saiu atirando para tudo que é lado. O governo se comunica mal, nomearam influenciadores digitais e parentes de secretários, transformando uma das áreas mais importante num depósito de arranjos políticos.

Instabilidade

O governo soma desgastes. Mostra que a legião de assessores serve apenas para bajular e criar problemas. Vagner Sales, Osmir Lima e Ribamar Trindade, dois dinossauros da velha política e um iniciante que atua alinhado com as ordens que vem de fora do governo, que tem ainda o ex-petista Ney Amorim, tentando se firmar no novo ambiente.

Base de apoio na ALEAC

Essa ainda não pode ser chamada de base, pois mesmo contemplando os parlamentares com secretarias, diretorias e coordenações, além de CEC’s de todos os níveis, alguns deputados não compreenderam o que é ser governo. É cada um por si e todos pelos seus apadrinhados. Nos debates mais profundos e que requerem maior unidade e defesa do governo, o que se viu foi um banho de argumentos fáticos da oposição, apesar de minoria. A queda precoce do líder Gerlen Diniz, do PP, que não aguentou três meses, prova a “solidão de amigos” na hora que ele mais precisava.

Os aliados tiveram que engolir não só a vinda do PDT para a base, mas a escolha de Luiz Tchê para ser o novo líder de Gladson Cameli. Faz vergonha admitir que “nós não temos alguém de casa capaz para esta função”.

Outro fator que tem chamado bastante atenção é a posição do MDB no governo. Com três importantes pastas e diversos cargos, ninguém engole ver tanto espaço ao Glorioso e ao mesmo tempo assistir o deputado do partido, Roberto Duarte, fazer oposição ferrenha na tribuna da ALEAC.

Legião de bajuladores e preguiçosos

Ficou nítida a má distribuição dos cargos. Basta ver a composição que ganhou as páginas do diário oficial, com nomeações em peso; da parentada de parlamentares e secretários. Talvez foi um dos fatores que causou mais confusão neste início, pois enquanto militantes e aliados foram ficando na zona do esquecimento, os filhos, genros, noras, irmãos e cônjuges eram contemplados com generosos salários.

Como pediu o governador no seu programa semanal, estamos aqui fazendo essa breve avaliação dos cinco primeiros meses, de um governo que precisa de um rumo, precisa correr para não perder de vez a credibilidade popular.

Finalizamos com uma opinião construtiva ao governador, ‘O bom político é respeitado por honrar com as palavras e compromissos e ter pulso para lidar com interesses dos mais diversos que lhes cercam’.