Sintomas pós HPV: Ministério da Saúde culpa estresse e medo dos pacientes acreanos e insinua profissionais despreparados. Assista

Não convenceu a conclusão dos estudos sobre o que teria acontecido com cerca de 100 adolescentes acreanas que passaram a sentir compulsão, desmaios epiléticos, falta de apetite, atrofiamento muscular, disritmia cardíaca e depressão depois de serem vacinados contra o HPV no Sistema Único de Saúde (SUS).

O relatório final do caso foi divulgado nesta quinta feira (28) por meio de vídeo conferência direto da capital paulista pelos pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (USP), instituição contratada pelo governo federal para verificar a qualificação química da vacina.

O chefe da pesquisa, Renato Luiz Machett, declarou às autoridades acreanas que as doenças manifestadas nos pacientes teriam sido desenvolvidas psicologicamente devido ao medo que eles tinham de adoecer se tomassem a própria vacina contra o HPV.

“Entendam bem, nos não estamos dizendo que esses sintomas apresentados pelos pacientes são psicológicos. Eles são reais, sim, mas foram desenvolvidos por fatores psicológicos relacionados ao medo de que a vacina poderia causar doenças, como já havia sido divulgado antes, disse ele.

Abaixo, o vídeo em que o pesquisador diz que os sintomas aparecem em pessoas vulneráveis ao estresses e outras condições emocionais.

Em dado momento, o pesquisador disse que “esta é a verdade que precisa ser dita”, insinuando que a imprensa deveria concordar com as justificativas. Jornalistas puseram o pesquisador contra a parede ao questionar sintomas semelhantes ou distintos que afetam pacientes de outros estados e países.

No vídeo abaixo, ele fala sobre “hostilização no atendimento” a pacientes que apresentam sintomas como epilepsia.

Renato pareceu ainda mais confuso ao tentar replicar e culpou a vacinação (ato de vacina), defendendo com extrema fidelidade a composição química da vacina. Nesse momento, houve silêncio durante a transmissão da videoconferência, em razão de pesquisador ter sugerido despreparo dos profissionais em saúde que aplicaram as doses.

Júlio Croda, diretor da secretaria de vigilância epidemiológica do Ministério da saúde, veio ao Acre para entregar o relatório às autoridades locais e declarou ainda que o governo federal vai acompanhar a situação de saúde dos pacientes e oferecer atendimento prioritário nos centros especializado.

“O relatório conclusivo sobre o caso é bem claro, descartando qualquer associação de doenças colaterais à aplicação da vacina. “Mas, nos vamos acompanhar de perto e oferecer atendimento prioritário em nossos hospitais especializados a esses paciente”, concluiu.