Sintesac é acusado de invadir representatividade sindical da enfermagem

O Sintesac é acusado de invadir uma representatividade que não lhe teria sido autorizada pelo Ministério do Trabalho. O presidente da entidade, Adailton Cruz, não teria legitimidade para, por exemplo, agir em nome dos enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. No entanto, o sindicalista, por meio de reuniões secretas e em postagens em redes sociais, extrapola sua atribuição legal, fato que gerou constrangimento e saia justa no meio sindical acreano e entre os filiados.

O Spate se apresenta como representante legal dos trabalhadores da atividade fim (os que atuam diretamente no auxílio aos médicos dentro dos hospitais e demais unidades de saúde), e  se viu obrigado a pedir, na justiça, que o Sintesac, por meio de sua diretoria, respeite a atribuição que lhe foi delegada sem ultrapassar limites de sua competência. Uma audiência de Instrução, na 2ª Vara do trabalho, está agendada para a próxima quarta-feira (28), quando a Promotoria do Trabalho e o juiz do caso devem se manifestar.

“Eles (Sintesac) induzem os trabalhadores. Provaremos isso em juízo”, declarou o advogado Vicente Aragão Prado, que representa o Spate. A presidente da entidade, Rosa Nogueira, suspeita de uma manobra política para confundir a categoria e arregimentar votos para o candidato do Sintesac a deputado estadual nas eleições de 2018 (veja entrevista abaixo).

O Sintesac pediu que o secretário Gemil Júnior (Saúde) contemplasse os enfermeiros obstetras do Hospital da Criança e da Mulher de Cruzeiro do Sul com “compensações financeiras”.  O advogado do Spate considera que a invasão de representatividade está evidente, e estranha o fato de Adailton Cruz não ter ampliado a reivindicação aos demais profissionais. Na audiência de conciliação, o sindicalista alegou que a entidade à qual preside tem “grande prestígio”.

Em recente postagem em grupo de Whatsapp, o presidente do Sintesac se dirige a “todos os trabalhadores do Pró Saúde, independente da categoria que pertençam”, fazendo um chamamento para a paralisação que deve ocorrer nesta terça (27). Ele anuncia que fará arrastão nas UPA´s. Já a convocação oficial do sindicato que circula nos meios de comunicação é dirigida apenas os “trabalhadores do Pró-Saúde representados pelo Sintesac”. A diretoria do Spate sustenta que o Sintesac manobra para confundir a categoria e prejudicar os enfermeiros, que já têm negociação avançada pelo reconhecimento de alguns direitos.

Adailton alega que está “apenas ajudando” – um argumento que a presidente do Spate não reconhece. Veja a entrevista abaixo:

Acjornal.com – Foi sempre assim?

Rosa Nogueira – Tudo que estamos tentando conquistar para a enfermagem acaba sendo travado na mesa de negociação. O Sintesac se apropria dessa pauta, o que causa desconforto na hora de negociar com os patrões. O Sinteac está atrapalhando ao invés de ajudar. Isso aconteceu na semana passada quando buscamos melhorias para os trabalhadores em saúde de Rio Branco.

Acjornal.com – Por que o Spate procurou a justiça?

Rosa Nogueira – A categoria fica no meio de um fogo cruzado doido. Todos nós representamos a saúde, mas as atribuições são diferentes de sindicato para sindicato. Isso precisa ser compreendido. O mesmo está acontecendo nas negociações do Pró Saúde. As nossas reivindicações também são solicitadas pelo Sintesac para o pessoal de ensino médio e outros filiados deles. Não somos contra. Acho que todo trabalhador deve ganhar melhor. Mas é preciso respeitar o espaço de cada um. Fica ainda mais difícil fazer o enfrentamento ao governo desse jeito. Tenho certeza que o Sintesac não aprovaria se o Spate atravessasse as negociações deles.

Acjornal.com – Fale sobre o Pró Saúde…

Rosa Nogueira – Perante a justiça, nas audiências de conciliação que tivemos, eles (Sintesac) negam, mas na prática a gente percebe que estão colocando a enfermagem em risco, uma coisa que o Spate jamais faria. Se a enfermagem do Pró Saúde for para a paralisação do sai 27, como o Sintesac está chamando, todas poderão se prejudicados. As negociações com os gestores do Pró saúde estão avançadas. Nós estamos esperando o estudo que foi prometido para levarmos à categoria.

Acjornal.com – Tem motivação política nisso tudo?

Rosa Nogueira – Eu acredito que tudo isso tem motivação política sim. Dizem por aí que tem diretor que mal chegou no Sintesac e já está em campanha para deputado estadual. Vejo muita politicagem. Os trabalhadores não gostam disso. Vieram me perguntar se eu aprovo o Sintesac andar pra cima e pra baixo com políticos que não têm aval da saúde. A minha opinião pessoal não será externada sobre isso, pois o problema é deles, e a categoria vai julgar isso lá na frente. Eu só te digo que nós do Spate jamais apoiaremos deputado que não ajuda o enfermeiro, o auxiliar e o técnico em enfermagem.