Servidoras fantasmas da UPA Sobral alugam contratos e vão estudar e morar na praia

As técnicas em enfermagem da Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre), Cárita de Lima Cardoso, Alcicléia de Souza Marques Silva e Gilmara Bomfim da Costa estão recebendo seus salários e plantões extras sem comparecer ao trabalho.

Elas constam na folha de servidores ativos e estão lotadas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sobral. A primeira mora no Nordeste Brasileiro. Bonfim faz Medicina no exterior. E Alcicléia curte praias litorâneas.

Elas ocupam lugar cativo na escala de plantões, como se estivessem no Acre e comparecessem à UPA para trabalhar. Os salários referentes ao cargo são pagos religiosamente pela Secretaria de Gestão Administrativa (SGA). Os ganhos extras, relativos aos plantões, caem na conta também, a cada mês. A grande dúvida é: quem dá plantão no lugar delas? São pessoas com preparo para salvar vidas? Como é rateado os recursos oriundos desses plantões?

Alcicléia, aliás, com perfil “Cleiia Marques” numa rede social, se auto intitulou “a nova nordestina arrasando” (veja imagem abaixo). O perfil da servidora não foi mais atualizado desde outubro do ano passado, quando ela esteve no “Bar da Boa”, numa praia de Fortaleza.

Tatiana, a gerente da UPA Sobral

O desmando teria começado na gestão do médico e gerente da UPA, Glauber Lucena, ainda no governo Tião Viana (PT). E continua na atual administração, da enfermeira Tatiana Calixto, irmã do diretor de Administração e Finanças da Sesacre, Erisson Calixto, o “China”.

Glauber foi exonerado porque acumulava funções indevidamente. É apontado como alguém tão influente que, mesmo tendo deixado o cargo nestas circunstâncias, indicou a atual gestora, de quem é amigo íntimo.

“O governador certamente não sabe que eles têm proteção da alta cúpula da Sesacre”, disse uma servidora a quem é negado o direito de tirar plantões extras. Há relatos de envolvimento amoroso entre servidores e perseguições aos inimigos do poder.

O acjornal foi à Upa. E levou em mãos a escala de plantões do mês de setembro – que valerá até 10 de outubro. O repórter, ali na recepção, buscou o paradeiro das técnicas em enfermagem (todas estão na escala). Elas deveriam estar trabalhando.

Nos foi negado o direito de ver o livro de enfermagem, um espécie de diário onde são registrados os profissionais que cumpriram plantões. Os enfermeiros assinam esse livro, que é carimbado e assinado pelos chefes imediatos. Sem isso, eles ficam sem a renda extra. O livro é público, mas permanece sob os cuidados da gerência. E a gerente é quem assina o livro de ponto de todos os servidores.

A nossa reportagem indagou alguns servidores da unidade e constatou a ausência das servidoras. Conversamos também com Tatiana Calixto, que mudou de cor ao saber do conteúdo da denúncia. Ela afirmou desconhecer as ilegalidades. Depois de anotar os nomes das três técnicas em enfermagem, disse que faria contato com a reportagem para dar uma explicação.

Figura ainda como denúncia que a enfermeira Sandréia Maia não estaria cumprindo a carga horária normal, além de receber plantões sem trabalhar. Ela também está nas escalas de plantões. Quanto ao caso da enfermeira Sandréia Maia, a coordenadora assegurou que ela trabalha normalmente e faria jus aos plantões porque acumula as coordenações da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Vigilância Epidemiológica e do Núcleo de Atenção à Saúde do Trabalhador.

A Editoria de Política aguardou o retorno de Tatiana Calixto até às 21 horas desta terça-feira.