Ruas do Povo custou igual à BR 364; Gladson autoriza auditoria em obras suspeitas

O Programa Ruas do Povo é o gargalo mais preocupante da área de governo que cuida da infraestrutura, admite o secretário Tiago Caetano. E as razões são de interesse direto da polícia, do Ministério Público, do Tribunal de Contas e do próprio judiciário: suspeitas de corrupção, já sendo investigadas pela força tarefa composta por controladores e procuradores do estado; o fato de que 40 das 54 obras ativas estarem, hoje, completamente paralisadas; e levantamentos parciais indicando que os governos do PT tenha previsto pagamentos na ordem de R$ 1 bilhão na pavimentação de “todos os acessos urbanos” nos 22 municípios, entre empréstimos e contrapartida do estado.

Este valor equivale a 90% do que foi gasto para construir a BR 364 até 2015, quando a gestão petista se envolveu num escândalo de corrupção ao dar a rodovia como “aberta permanentemente, de inverno a verão”.  Estarrecem alguns indicadores em fase de tabulação, que serão expostos como denúncia, provavelmente após os 100 dias de governo.

“A maior parte disso já foi paga. Mas a maioria das obras não foi entregue ou não entrou em execução. De fato, se configura num problemão para a gestão de governo. O custo para refazer estas obras ou mesmo concluir o que está inacabado é muito maior que o disponível. A contrapartida do estado deveria ser tão alta quanto insuportável. Nem todas as obras vale a pena ser finalizada. Por isso, é possível que o estado tenha que judicializar e buscar responsabilidade dos gestores da época, em razão dos danos teoricamente causados ao estado. Quanto às obras paradas, é possível que sejam devido às chuvas, o que, sinceramente, é pouco provável. E outras carregam um histórico de problemas de toda ordem”, afirmou.

Por causa de toda a suspeita de irregularidades, o BNDES lançou cláusulas restritivas à captação de recursos pelo Estado, o que implica na possibilidade de o governo Cameli ter que devolver cerca de R$ 108 milhões em razão de erros praticados noo governo anterior. A Seinfra busca solução para não ser obrigada a devolver esses recursos neste momento.

Caetano adiantou à reportagem que após o Carnaval será montada uma grande comissão, com perfil estritamente técnico, para auditar todos os contratos, “apurar e ver o que dar pra continuar ou não”. Segundo ele, o governador Gladson Cameli está ciente da questão e a Casa Civil acompanha tudo de perto.