Roberto Duarte seria o financiador de fake news para atacar o governo e rivais políticos; Fantasmas continuam na folha e MP não investiga nada

O deputado Roberto Duarte Júnior reagiu com estranheza à cobrança dos colegas José Bestene e Luiz Tchê, nesta terça-feira. Os parlamentares quiseram saber quem está financiando o “doido de pedra” Hedislandes Gadelha para fazer ataques gratuitos à honra do governador e de outros rivais políticos. Gadelha cita a mãe de seus desafeto em posições sexuais, menciona a genitalha de idosos, parentes de seus inimigos, e faz acusações de cunho sexual a qualquer um, sem se incomodar com possíveis consequências.

Antes de terminar a sessão, Roberto resmungou: “eu também quero saber quem tá financiando o acjornal para me atacar”. O deputado se refere à série de reportagens comprovando haver fantasmas em seu gabinete e, mais recentemente, o litígio judicial  em que dois irmãos biológicos do deputado buscam reconhecimento de paternidade e o direito à partilha de bens herdada do patriarca da família, Roberto Duarte, falecido em 2010.

O jornalista Assem Neto localizou a irmã biológica do deputado, que já fez dois exames de DNA, com resultados positivos, mas o parlamentar insiste num terceiro exame (veja AQUI), retardando, assim, a abertura do inventário e negando aos irmãos o direito à parte legal de uma fortuna que incluem mais de 60 imóveis, ações da Miragina e outros bens.

Haveria necessidade desta reação se o distinto deputado não tivesse culpa no cartório?

Na Aleac, os corredores são testemunhas da relação indigna de Duarte com Herdislandes, que, minutos após, ainda nesta terça-feira, ao ser chamado de “parasita”, promoveu ataques ao editor-chefe do acjornal.  A ordem teria partido do próprio Roberto Duarte e de seu concunhado, o empresário Marcelo Moura, dono da TV Gazeta e da empresa de publicidades PWS.

Outros alvos são o vice-governador e o comandante da PM. Major Rocha apadrinha a campanha do ex-reitor da Ufac, Minoru Kimpara, líder nas pesquisas eleitorais para a Prefeitura de Rio Branco. A ascensão de Minoro, naturalmente, ameaça Roberto Duarte, que pôs na cabeça ser páreo na corrida eleitoral deste ano. A fim de desconstituir o grupo tucano, ao qual Minoro é filiado, Herdislandes Gadelha, a mando do deputado, começou o ano promovendo notícias falsas sobre a criminalidade no Acre. Para ele, as mais de 35 mortes atribuídas à guerra entre Comando Vermelho e Bonde dos 13 em janeiro são culpa da Segurança Pública, pasta que tem seus principais nomeados indicados pelo vice-governador.

Marcelo Moura não aceita que o acjornal tenha exposto a ação judicial, que corre em segredo de justiça, em que ele é acusado de usurpar patrimônio familiar e renegar a viúva, filhas e netos do empresário Roberto Moura, de quem herdou toda a fortuna proveniente do consórcio de 13 empresas que formam a Holding Recol Participações. O pólo ativo da ação (as vítimas do empresário) pedem que o rapaz seja desconstituído e a justiça nomeie um interventor para vasculhar as contas das mais de 13 empresas controladas por ele.

Marcelo Moura, fornecedor da Saúde, se entregou à chantagem a fim de receber notas do tempo do governo do PT. São documentos inautênticos que a gestão atual mandou periciar. Ele é um dos subgrupos que formam o chamado cartel na Sesacre – postura que desonra a memória do pai empreendedor e averso ao banditismo virtual.

O doido

Obteve ajuda do concunhado quando ele era vereador para ganhar a mídia da Câmara Municipal de Rio Branco e, mais recentemente, é o maior responsável por atrasar a licitação da verba institucional do Estado, judicializando causas banais, propositadamente para prejudicar o governo, após ter sido desclassificado na abertura de envelopes anteriores. Ainda assim, a PWS deve ser confirmada como a agência que vai controlar a milionária mídia da Aleac, não sem a influência do concunhado e parceiro de maracutais.

Já o deputado não perdoa o jornalista Assem Neto, dono do acjornal, que depôs a um delegado na Polícia Federal numa ação que investiga financiamento não registrado no T R E na campanha de 2018. A suspeita é que a eleição de Roberto tenha sido bancada pelo concunhado milionário (já que Roberto não pode botar a mão na fortuna do pai), entre Amarok´s e muito material gráfico impressos em Porto Velho, sem que esses gastos tenham sido revelados na prestação de contas.

Roberto, Marcelo e Herdislandes foram vistos há três semanas dentro do escritório da agência PWS, definindo detalhes de um acerto escuso. “Ganhei um stúdio”, comemorou o doido nas redes sociais horas depois. Naquele instante, Duarte teria comprado áudios que comprometem a integridade de autoridades constituídas do Acre – todos gravados clandestinamente por Herdislandes Gadelha. Eles apostam que o eleitor se convencerá da baixaria na campanha deste ano.

O objetivo da trama é desconstruir inimigos nas redes sociais, pagando alto e abusando da insanidade de um débil mental habituado com a impunidade. Ao ser ameaçado de morte por grupos poderosos, Herdislandes postou fotos afirmando estar em Dubai. Mas o GPS do abestado aponta para Guarulhos, na Grande São Paulo. “Aqui estou protegido”, disse ele. Na sequência, ele surge numa praia, com barracas ao fundo. Foi motivo de muitas risadas nos grupos de Whatsapp.

Casa e cozinha

A Assembléia Legislativa não tomou providências sobre o grupo de funcionários fantasmas contratado pelo deputado Roberto Duarte Júnior (MDB). A reportagem denúncia pode ser revista AQUI. O parlamento também calou diante do flagrante de crime, cometido pelo deputado do MDB, mostrado em outra reportagem (veja AQUI), em que uma senhora de idade, trabalhadora rural, moradora de Acrelândia, recebe salários sem comparecer ao gabinete do deputado. A agricultora é mãe da chefe de gabinete de Roberto Duarte, Nayara Villas Boas. Os fantasmas foram contratados em janeiro e de lá pra cá se valem da impunidade. O Portal de Transparência da Aleac, desativado, contribui para esconder  as maracutais.

A reportagem fez denúncia por escrito à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, no dia 19 de novembro do ano passado. O Ministério Público do Acre, seis meses depois, não tem respostas a dar à sociedade para um flagrante de improbidade e apropriação indevida – crime cometido por uma figura pública que postula ser prefeito de Rio Branco. A assessoria do MPE não soube informar que fim levou a denúncia feita pelo acjornal com pedido de providências.

A reportagem deixa no ar a seguinte questão:

Por ser advogado e deputado influente, estaria o deputado sendo protegido pela Casa de leis e pelo órgão que deveria investigá-los?

 

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