Psicóloga acreana traça perfil dos dois criminosos que mais mataram em janeiro: prazer e satisfação pessoal

Ricardinho  Vitorino (20) e Rodrigo Silva da Costa (19) têm algo em comum, alem da ficha criminal como membros de organizações criminosas, que revelam um lado psicopata bem mais complexo na guerra entre facções rivais no Estado do Acre.

Ricardinho foi preso no Bairro Cidade Nova, em Rio Branco, no inicio dessa semana, e confessou ter matado 15 pessoas no período de 45 dia na capital acreana. “Ele recebia ordens superiores de dentro do presídio estadual para executar rivais aqui fora”, declarou o delegado Cristiano Bastos, responsável pelas investigações que levaram à prisão do assassino.

Em depoimento na delegacia de homicídios e proteção à pessoa, ele disse ainda que quando não recebia a lista de nomes com ordens para matar, saia por conta própria, pelas ruas da cidade, à caça de algum possível rival para executar.

O criminoso seria o assassino “titular” de sua facção, incumbido somente de matar os rivais. Ele tinha carta branca dos lideres de sua organização para escolher a forma de morte de suas vitimas.

No caso de Rodrigo Silva da Costa, o delegado que lhe prendeu não confirmou essa mesma sistematização do papel criminoso dele dentro da facção que pertencia. Mas as investigações apontam que ele também era o homem designado por seus superiores para matar os rivais com requinte de crueldade na região do vale do Purus – onde foi preso, no final do mês passado, na cidade de Manoel Urbano, depois de esquartejar um adolescente da facção adversária e já ter feito o mesmo com um casal de jovens no município vizinho, Sena Madureira.

A pedido do Acjornal, a psicóloga Maria Claudia Bonfim avaliou as informações oficias sobre como agem esses dois criminosos. E traçou um perfil do comportamento de cada um deles que revela prazer e satisfação pessoal no que faziam.

“Não é corriqueiro se identificar prazer e satisfação pessoal nos atos de bandidos comuns, seja assaltantes ou até mesmo assassinos. Mas nos casos desses dois citados nessa reportagem, se percebe que a crueldade imposta sob suas vitimas era decisão própria deles motivada pelo prazer pessoal do sofrimento da vitima submissa a ele e indefesa diante da situação de morte”, analisa a psicóloga.

Os fatos relatados pelos dois assassinos levam a especialista em comportamento humano a prescrever que as facções criminosas estariam organizadas, administrativamente em células regionalizadas nos municípios do Estado de forma complexa mas impondo resistência ao avanço das forças policias sob elas.

“Se percebe a existência estrutural de uma cadeia de comando administrativo do crime onde existem superiores hierárquicos e subordinados capazes de praticarem qualquer atrocidade para serem promovidos de posto dentro da organização. Em outras palavras: a polícia prende um e logo já surge outro, ainda mais violento, no lugar dele”, relata a psicóloga.

O delegado José Henrique Maciel, diretor geral da polícia civil acreana, acredita que com a prisão desses dois assassinos profissionais que estavam a serviço das facções criminosas, o número de execuções em Rio Branco e na regional do Purus, que corresponde aos municípios de Sena Madureira, Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus, devem diminuírem.
“Com a prisão desses rapazes, pode ter certeza que os índices de homicídios no Acre vão diminuir. Eles foram os autores da maioria das mortes registradas no mês de Janeiro deste ano, quando tivemos um dos índices mais alto dos últimos tempos”, concluiu.
Com a prisão de Ricardinho e Rodrigo a polícia elucidou a autoria de 20  homicídios, com características de execuções, atribuídas a eles do começo deste ano para cá.