Procurador federal do Acre também rebate declarações de Bolsonaro

O procurador da República Joel Bogo, que atua no Acre, um dos estados mais afetados pelo aumento no desmatamento e das queimadas neste ano, também contestou as declarações do presidente Jair Bolsonaro, que disse, sem apresentar provas, por dois dias consecutivos , que ONGs estariam por trás do aumento das queimadasno Brasil.  Segundo ele, a declaração de Bolsonaro colocando a culpa pelas queimadas nas ONGs lhe deixou surpreso. “Nós não temos nenhum indício. Zero. Isso nunca surgiu nem nas nossas investigações e nem em informações de inteligência às quais temos acesso”, disse Bogo. Para o procurador, o principal vetor para o aumento do desmatamento e das queimadas no Acre é a pecuária ilegal. Segundo ele, pecuaristas vêm incentivando a grilagem de terras públicas e promovendo a devastação e os incêndios.

“Foi um despropósito”, disse o coordenador da Câmara do Ministério Público Federal (MPF) que cuida de crimes ambientais, subprocurador-geral da República Nívio de Freitas, sobre a acusação feita pelo presidente.

Segundo ele, os discursos tanto do presidente Bolsonaro como de outras autoridades em relação à nova política ambiental do governo podem estar incentivando o aumento do desmatamento e das queimadas no Brasil. ” Não há evidência nenhuma de que ONGs estariam por trás disso. Se o presidente tinha alguma suspeita, deveria ter mandado a Polícia Federal investigar”, disse o subprocurador Nívio de Freitas. “Se o presidente tinha alguma suspeita, deveria ter mandado a Polícia Federal investigar”, finalizou Freitas.

Com informações de O Globo