Pastor Manuel Marcus e deputada Juliana pagaram 21 mil pessoas no dia da eleição, incluindo 1.600 “líderes” da Universal

Uma planilha apreendida pela Polícia Federal na casa do vereador Manuel Marcus revela que 20 mil pessoas deveriam receber R$ 100,00 cada para votar no próprio pastor e na deputada Doutora Juliana. As anotações contêm as inscrições “dia” (numa referência a 7 de outubro), “pessoas” (para definir o quantitativo de eleitores pagos), “dentro” (na capital) e “fora” (no interior do estado).

O chamado “desenho da organização criminosa”, traçado pelos peritos e investigados de PF, é didático e de fácil compressão. A reportagem de acjornal teve acesso a documentos ainda não divulgados que completam o esquema (veja na galeria de imagens abaixo), apontando a culpabilidade do pastor (eleito deputado federal), da deputada (reeleita), do laranja da empresa de fachada usada para lavar os recursos) e dos três filhos da doutora deputada.

As anotações revelam que foram captados 10.460 congregados da Igreja Universal do Reino de Deus, entre eles 1.600 líderes religiosos. No geral, e incluindo o derrame de gasolina (500 litros para 11 candidatos) a eleição de Manuel Marcos e Doutora Juliana custou pouco mais de R$ 1 milhão apenas no dia da votação. Todo esse recurso foi desviado do fundo partidário (recursos públicos) a que o PRB, legenda dos dois políticos, teve direito.

O arcabouço de provas está sob a mesa da juíza eleitoral Maria Olívia Ribeiro. A ela caberá decidir se Juliana e Manuel Marcus devem ser diplomados no dia 1 de fevereiro. No entendimento do TRE do Acre, a dupla não poderia ser diplomada em 16 de dezembro, mas uma ordem superior, da presidente do STE, ministra Rosa Weber, permitiu que o pastor e médica recebessem o diploma em ato cujas testemunhas foram apenas a presidente do TRE e uma assistente.