“O meu único projeto é melhorar a cidade de Rio Branco”, diz pré-candidato Fernando Zamora

Por Jorge Natal

A política deve ser movida pelo desejo de servir e construir coisas que verdadeiramente mudem para melhor a vida das pessoas. Dar-lhe significado exige propósitos, dedicação, estudo e, acima de tudo, amor ao próximo, preocupação com as pessoas, capacidade de sentir a dor dos mais humildes, a angústia dos desamparados.
No entanto, foi ficando desacreditada e se transformou em uma arena onde os gladiadores, em sua maioria, são impulsionados por ambições pessoais e práticas pouco republicanas. Por causa disso e de outros fatores, o Brasil foi atingido por uma onda de mudanças, cujo ápice ocorreu no último pleito, notadamente com a eleição do presidente Jair Bolsonaro, alguns governadores e centenas de congressistas.

“Iremos fazer da nossa cidade um lugar melhor para se viver”

O Acre é prova cabal dessa quebra de paradigma. Setenta e sete por cento dos acreanos votaram em Bolsonaro, enquanto na Capital esse número saltou para quase 83%, constituindo-se nas maiores votações dadas ao presidente entre os estados de federação, proporcionalmente falando. Sem contar que o atual governador, Gladson Cameli, foi eleito ainda no primeiro turno.

Acreditando que essa mudança também podem se estender à cidade de Rio Branco, o PSL convidou o pecuarista Fernando Zamora, 51 anos, para ser pré-candidato a prefeito. Ele vai aborda os eleitores com uma mensagem de trabalho e esperança, sempre afirmando que é possível transformar a cidade em um lugar próspero e com um povo feliz. “A política com ética é necessária. O seu único propósito é servir”, assim concebe ele.
Quando decidiram deixar suas propriedades em Martinópolis (SP) para tentar a sorte nas longínquas terras do Acre, na década de 70, os Zamora embarcaram numa verdadeira aventura. Assim como tantos outros que se propuseram a desbravar a nossa região, não encontraram estradas, infraestrutura ou luz elétrica, apenas uma densa e desafiadora floresta. Na base do facão e machado foram abrindo áreas até formar as atuais propriedades.

O primeiro a chegar foi Sidney. Depois, na década de 80, veio Dirceu que vem a ser o pai do nosso personagem. Com a esposa, outros familiares e amigos ele prestigiou o lançamento da pré-candidatura do filho na última segunda-feira (02), evento bastante expressivo ocorrido na sede do partido. Em uma pequena sala ali mesmo, Fernando Zamora nos concedeu com exclusividade esta entrevista. Vejam os principais trechos:

ACJORNAL- Por que o senhor quer ser prefeito?
Fernando Zamora – O mandato ou a representação política é coisa séria. Não é uma vocação, mas é ter um referencial de democracia, importando-se com o próximo, dando-lhe cidadania e oportunidades de trabalho, visando construir uma sociedade próspera e feliz. Não há vaidades ou qualquer outra coisa na minha candidatura. Adotaremos a inversão de prioridades, com meritocracia e zelo com a coisa pública. Diminuiremos gastos e aplicaremos os recursos em investimentos, principalmente na capacitação do servidor público, bem como na adoção de parcerias público-privadas para prestar um melhor serviço aos cidadãos. Vou escutar mais do que falar. Iremos fazer de Rio Branco um lugar melhor para se viver.

ACJORNAL – Como o advento da redemocratização, com destaque para a promulgação da Constituição, houve um domínio dos partidos de centro esquerda no Brasil. Alguns fatores, cujo ápice se deu com a eleição do presidente Bolsonaro, puseram fim a esse período. O senhor acreditada que essas mudanças podem se estender a Rio Branco?
Fernando Zamora – Às vezes é preciso voltar na história para entender o presente e traçar o futuro. Na última eleição, houve uma polarização entre extrema esquerda e direita. A divergência constrói desde que seja tratada com seriedade e as pessoas tenham boa vontade. O contraponto é importante. Mesmo eu sendo um liberal, acredito muito no equilíbrio e, se for para me classificar, estou mais para o centro-direita. Na economia, aí sim, sou totalmente liberal no incentivo à iniciativa privada e ao empreendedorismo. Onde a economia se fechou e o estado foi o condutor de tudo, foi à bancarrota. Esse modelo não deu certo mundo afora e não está dando certo no Acre.

ACJORNAL- O que o senhor fará para gerar postos de trabalho e, dessa forma, contribuir para diminuir algumas mazelas sociais?
Fernando Zamora – Incentivar e apoiar a iniciativa privada. Se for preciso, iremos procurar pessoas de fora do estado para investir no nosso município. É esse setor que traz emprego, renda e posto de trabalho, ou seja, cria uma sustentabilidade financeira. O setor que abastece o mercado interno e ainda exporta é a pecuária. Precisamos instalar novas indústrias ligadas aos setores vocacionais da nossa região. Iremos estudar o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) do Acre, mais precisamente no que toca a Rio Branco, para elaborarmos uma proposta que constará no nosso plano de governo. Para que novas indústrias se instalem é preciso existir matérias-primas. Precisamos incentivar o agronegócio, disponibilizando a infraestrutura necessária. E não atrapalhando. Refiro-me aos excessos de fiscalizações e multas. Esse trabalho deve priorizar a conscientização. As leis precisam ser cumpridas, mas precisamos repensar essas políticas.

ACJORNAL – o senhor tem um perfil moderado. Comente sobre isso?
Fernando Zamora – Eu abomino o candidato que queira se promover desconstruindo ou falando mal do outro. Isso é um desrespeito com o eleitor. Alguns dos concorrentes nestas eleições são meus amigos. Vou tratá-los de forma cordial e respeitosa, porém, no campo das idéias, seremos adversários e isso ficará muito claro durante as eleições. Independentemente do resultado, precisamos estar unidos para o bem de Rio Branco.

ACJORNAL – À exceção do senhor, os demais pré-candidatos têm amarraras com caciques políticos, inclusive vinculando as eleições deste ano com as eleições de 2022. Comente sobre isso?
Fernando Zamora – Eu não tenho projeto de poder. O meu único projeto é melhorar Rio Branco. Não quero saber das eleições de 2022 ou 2026. Eu não sou político de carreira nem pretendo ficar a vida inteira nisso. Os vereadores devem legislar e o prefeito executar. Não permitirei empreguismo que tornaria a máquina ineficiente. Eu tenho conversado com os vereadores do meu partido e conversarei com os demais aliados. Nada impede, todavia, que esses vereadores me apresentem nomes técnicos que possam ser perfeitamente aproveitados na gestão. Cabide de emprego jamais.

ACJORNAL – O governo federal definiu como uma das suas prioridades o saneamento básico. Como o senhor, caso seja eleito, pretende recepcionar essas políticas públicas?
Fernando Zamora – O marco regulatório está prestes a ser votado. O saneamento básico é de responsabilidade do município. E o que acontece no Acre? O município de Rio Branco autoriza o governo estadual a executar essas políticas. Com esse novo pacto, a atribuição voltará para o âmbito municipal, que abrirá licitação, com a participação, caso queira, inclusive do governo estadual. Essa política da União vai estruturar e consolidar os planos de saneamento básico e de resíduos sólidos da nossa capital.

ACJORNAL – Em uma recente pesquisa, os rio-branquenses disseram que os problemas que mais os afligem são a violência, o desemprego e as ruas intrafegáveis. Qual é a sua opinião sobre isso?
Fernando Zamora – Esses problemas estão interligados. A lei orçamentária da prefeitura para 2020 é de R$ 1 bilhão. Em pleno século 21, é inaceitável termos ruas intrafegáveis. Andando pelos bairros, encontramos esses problemas, de esgoto e alguns problemas pontuais na área da saúde. A população está com medo e uma sensação de insegurança. Dizer que esses problemas são dos governos estadual e federal é uma meia verdade. A violência é um problema de todos. Metade da nossa população mora em Rio Branco. Eu tenho responsabilidade e, se for o caso, criaremos uma guarda municipal, bem como procuraremos os governos estadual e federal. A prefeitura gasta dois milhões com segurança e um milhão com o Gabinete Civil. Iremos fazer alguns rearranjos. Eu discordo quando se diz que bandido bom é bandido morto. Para mim, o bandido bom é o que deixa de ser bandido. Eu gosto das ações de instituições como as igrejas que trabalham com a recuperação de vidas. Eu quero apoiá-las. Em curto prazo, é repressão mesmo.

ACJORNAL – Os pecuaristas, industriais e comerciantes se unirão em torno do seu nome? A sua experiência como empresário pode ajudá-lo na função pública?
Fernando Zamora – Eu tenho muito orgulho de pertencer à classe dos pecuaristas. Um mandato de parlamentar se enquadra mais nesse conceito porque é um representante de classe. O prefeito administra para o trabalhador, o patrão, a dona de casa, os estudantes, enfim, para todos que moram na cidade. A minha experiência na vida empresarial vai me ajudar com gestor público. O governo não tem fins lucrativos, mas precisa de uma boa saúde financeira. Como empresário, eu tenho uma folha de pagamento para pagar. Esse dinheiro vem através da minha produção. Essa visão empresarial para a gestão pública será o ponto máximo da nossa administração. O nosso servidor público estará em primeiro lugar e será do público. Na monarquia o povo servia ao rei, no comunismo o povo serve ao partido e na democracia o estado é para servir ao povo.

ACJORNAL – O PSL tem a maior bancada no Congresso Nacional. Isso facilitaria a captação de recursos?
Fernando Zamora – As bancadas trazem recursos para seus estados, o que não nos impede de ir a Brasília, quando vislumbrarmos uma obra federal. Faremos, sim, esses pleitos ao partido. Mas eu estou satisfeito com a nossa bancada em Brasília. Já no primeiro ano, pretendo fazer uns realocamentos na lei orçamentária. Também pretendo formar uma equipe de projetos para firmamos convênios. Em outras palavras, teremos planejamento, organização e execução.

ACJORNAL – É possível fazer política com ética?
Fernando Zamora – Eu diria que é necessário. Eu não sou melhor do que ninguém nem o dono da verdade. A oposição não pode ser contra a pessoa que ocupa o cargo. Eu me lembro de quando o ex-governador Orleir Cameli tentou asfaltar a BR 364 e alguns políticos, em Brasília, fizeram de tudo para impedir. Esses políticos estavam pensando no povo? Isso precisa acabar.

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