Moisés Diniz, a esperança de um PCdoB como antigamente, a crítica à antiética petista e a justa reivindicação pela vaga de vice

Ao retomar o comando do PCdoB no Acre, o deputado federal Moisés Diniz trabalha para encurtar a distância entre os ideias do partido com o povo. Assume ter havido falhas na condução da política partidária nesses anos de aliança com o PT, e reafirma que a segunda maior força partidária da Frente Popular está pronta para botar o coração na campanha de 2018, desde que a chapa majoritária contemple os comunistas na vaga de vice do prefeito Marcus Alexandre. Diniz fala em gratidão e fidelidade e entende ser antiético o Partido dos Trabalhadores impor apenas os seus filiados para a disputa do Governo do Acre e Senado Federal.  Leia os principais trechos da entrevista:

Que PCdoB o senhor tem em mente?

Moisés Diniz – Eu vou completar agora 22 anos de mandato. Jamais utilizei esses mandatos para fazer fortuna e patrimônio. O que tenho é uma casa, para minha família. Sempre acreditei na política como meio para melhorar a vida das pessoas. Nos últimos anos, me vi bastante insatisfeito, ao ver as minhas utopias de ladeira abaixo. Não me acovardei. Questionei a quem pude questionar. Decidi, então, retomar o comando do partido. É possível, senão retornar às suas origens, mas aproximar o PCdoB de suas origens. O empresário não precisa entrar num banco para contrair um empréstimo, diferente de um trabalhador que vive lá na ponta de um ramal. Vou criar o PCdoB nas comunidades. Temos advogados, psicólogos, médicos e tantos outros profissionais que devem estar mais perto da população. Quem o problema de estar perto do povo? Não sei se haverá tempo, mas o que for possível eu farei

Que avaliação o senhor faz da imposição do PT, que já tem a prefeitura da capital, de lançar chapa puro sangue, com todos os candidatos petistas para governador, vice e senadores?

Moisés Diniz: É antiético.  As relações entre partidos e pessoas que comungam o mesmo ideal exigem uma mudança de atitude, levando-se em conta a dedicação, a fidelidade e o conceito que se tem de esquerda. Para se governar de forma ampla, com esse discurso bonito de humanismo, etc…não se deve excluir pessoas que são aliadas na hora de compor uma chapa.

Do que depende o PCdoB colocar o coração na campanha em 2018?

Moisés Diniz – Eleger uma deputada como a Perpétua Almeida na Câmara Federal, pode ter certeza que nosso coração estará nesse projeto. Como estaremos, com o coração, na busca por eleger dois ou três deputados estaduais. Agora…para que tenhamos o coração completo na campanha de 2018 o PCdoB precisa estar na chapa majoritária da Frente Popular.

O senhor não abre mão disso…

Como o meu nome foi indicado para vice, eu não vou participar de nenhum movimento. Mas o PCdoB irá. O que o partido decidir eu aceitarei.

E se esta ideia não vingar??

Moisés Diniz – Eu cuidarei do partido, com um conceito moderno de tolerância, que tenha capacidade de dialogar com outras forças políticas, que não seja visto como uma força isolada dentro da Frente Popular, e que possa ter uma relação saudável com outros partidos, inclusive os de oposição. Não há pecado ou crime nisso. Eu sempre defendi um diálogo franco, respeitoso, até mesmo com aqueles que não compõem situação ou oposição, como é o caso da Rede.  Veja, quando fui candidato a prefeito de Tarauacá, quatro pessoas para dentro da minha campanha: Edvaldo Magalhães, Luiz Calixto, Márcio Bittar e Nabor Júnior.  No momento mais difícil, talvez, da minha luta política, esses quatro parlamentares foram para o meu palanque. Como é que eu vou fazer discurso violento contra um Márcio Bittar, por exemplo? Eu não irei fazer campanha para ele, mas o respeito será preservado. Eu estou falando de relação aberta e gratidão. Hoje, o deputado Nilson Mourão veio me visitar. É um patrimônio da nossa política, com 20 anos de mandato.

Onde vocês falharam?

Moisés Diniz – Existe uma certa violência contra candidaturas que estão vindo de outro campo mais conservador. Isso quer dizer que do lado de cá nós falhamos, sim. Algumas candidaturas da direita são nossas filhas. Nós abrimos caminho para elas. Eu cito o exemplo do Bolsonaro. Esse desespero da esquerda em relação ao Bolsonaro não faz sentido. Eu o acompanho lá na Câmara Federal. É um político que reage de forma violenta à violência. Basicamente é isso. De repente ele virou uma onda por que nós, da esquerda, não soubemos tratar o assunto com a devida atenção. A violência, os direitos humanos, etc. Uma pessoa que invade a casa de uma família e mata pessoas com tiro na cabeça não pode ir pra penal e ficar lá apenas alguns poucos anos. Meninos de 16, 17 anos pintam e bordam e o código penal permanece ultrapassado. Precisamos endurecer a pena. Só assim salvaremos a juventude. O que mais me espanta é que Lula e Dilma não fizeram essa reforma penal. Batem palmas para China e outras Nações onde a lei é duríssima, mas aqui o exemplo que estamos dando é algo lamentável.

O senhor fez um estudo nos 13 anos dos governos Lula e Dilma sobre violência?

Moisés Diniz: Fiz. Avançou a inclusão social, com 32 milhões de brasileiros saindo da linha da pobreza. Os jovens que entraram na universidade saíram de 3 milhões para 7 milhões. E o desemprego foi reduzido em muito. Ou seja, as condições que provocam a violência foram tratadas, de acordo com os estudiosos, mas esta mesma violência aumentou ano a ano. Está provado que não basta apenas ter educação e emprego. Faltou o braço duro da repressão, e o Código Penal deve ser reestudado.

O senhor é a favor da proposta que suspende o Estatuto do Desarmamento e garante o porte de arma a pessoas com bons antecedentes?

Moisés Diniz – Acredito que devíamos pensar numa proposta intermediária. Qualquer pessoa, independente de ter bons antecedentes, não pode comprar uma arma. Nós não podemos cair num modelo norte americano, onde, como se vê, cidadãos sem passagens pela polícia se posicionam na cobertura de um prédio qualquer e se transforma em atirador. Não sou do grupo radical que proíba de qualquer jeito, tampouco do grupo que escancara sem critérios.

Em quem o senhor votaria hoje para presidente da República?

Moisés Diniz – O meu primeiro voto seria de um candidato do PCdoB. O segundo, da Marina Silva. O terceiro, do Lula.