Líderes comunitários relatam trapaça de Nicolau para invadir reduto de Bestene e Gerlen: “fomos enganados”

Ao menos cinco lideranças comunitárias de Rio Branco cobram insistentemente promessas feitas pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Nicolau Júnior (PP). O grupo procura ajuda da imprensa para identificar os endereços onde Nicolau e o governador Gladson Cameli possam estar juntos, em agenda oficial. Eles perderam a esperança de, um dia, serem recebidos pelo parlamentar, muito embora compareçam às terças, quartas e quintas, em tentativas frustradas de falar com o presidente. Um dos líderes comunitários disse ao acjornal que perdeu as esperanças, está endividado e até pensou em dar um soco “na cara” do deputado.

A reportagem conversou com o rapaz cujo nome ele pediu para não ser publicado. “Um certo dia, o Nicolau botou o celular no viva voz e do outro lado da linha estava o Gladson Cameli. Ele fez o senador, que era candidato a governador, prometer ajudar nós, dizendo que por ser o seu cunhado já estava certo que ele seria o presidente da Assembléia”, declarou.

Cameli e Nicolau deram como certa a vitória nas eleições. O então candidato a governador teria dito: “ajude a gente que nós estamos juntos”.

Perguntado sobre qual tipo de ajuda foi prometida, ele respondeu: “Não foi nada específico, mas é claro que a gente ficou numa expectativa danada. Fomos enganados, trapaceados…”

Nicolau se sentiu ameaçado por outros candidatos fortes do PP, entre eles José Bestene e Gerlen Diniz, que acabaram sendo eleitos. E buscou formas de entrar no reduto eleitoral deles em Rio Branco. “A solução foi usar a gente”, disse o líder comunitário. “Botei meu carro na campanha dele. Hoje meu carro tá todo lascado. Eu quero pelo menos que ele mande consertar”, disse. O rapaz disse que liderou um grupo de moradores. “Essas pessoas estavam acertadas com o Bestene. O Nicolau fez todo mundo mudar de idéia. Hoje estamos nessa situação. A paciência acabou”. 

A segurança legislativa está em alerta. Cartazes que façam qualquer menção negativa ao presidente da Casa serão apreendidos e os portadores podem ser presos. 

Inacessível

Nicolau mandou colocar dois seguranças na porta do seu gabinete. Os seguranças acompanham o deputado na entrada e na saída do gabinete, passando pelo elevador privativo até chegar ao Plenário, onde somente funcionários credenciados e parlamentares têm acesso. 

A transparência aos atos da mesa-diretora, e especificamente do presidente, são alvo de um grupo apelidado de “credores do Nicolau”. Eles organizam um ato público para “constranger” o deputado, em que seriam expostos os detalhes do acordo não cumprido pelo parlamentar. A blindagem ao presidente da Aleac também deve sobrar para o secretário geral da Aleac, Cleilson Thaumaturgo, que gerenciava uma revendedora de combustíveis (a maior do Vale do Juruá) e a Aerobran Taxi Aéreo. As duas empresas pertencem á família de Nicolau. 

Cleilson é criticado por não ter trato com política