Juiz proíbe vice-prefeito de Tarauacá de se aproximar de agricultor

O juiz da Comarca de Tarauacá, Guilherme Aparecido do Nascimento Fraga, determinou que o vice-prefeito de Tarauacá, Francisco Feitoza ” o Chico Batista” (PP) mantenha distância de 200 metros de um agricultor do município, de nome Francisco Gomes. A briga entre os dois é longa.

Tramita no Judiciário, ainda, um outro processo em que o vice-prefeito da cidade é acusado de usar o nome do agricultor para conseguir empréstimo junto a um banco. Gomes, que mora no alto Rio Muru, registrou queixa-crime na delegacia local alegando que estava sendo ameaçado pelo político. Segundo ele, “Chico Batista” , a quem acusa por estelionato, mandou pessoas irem a propriedade da vítima tomar cabeças de gado, alegando que os bois lhe pertenciam.

Como o agricultor não aceitou que o político retirar-se os bois, Batista começou a ameaça-lo, o que levou o pedido judicial para que fossem tomadas as devidas providências para garantir a integridade física da vítima e também de seus familiares. O despacho do juiz é de 16 de janeiro deste ano.

O que dito na polícia, segundo apurou um site local, está reproduzido abaixo:

Na delegacia, o agricultor contou que foi convidado a trabalhar em uma fazenda de propriedade de Chico Batista executando serviços diversos. Disse que, certo dia, Chico Batista o procurou e pediu para registrar a fazenda em seu nome, alegando que seria político e não podia possuir tais bens, já que a terra em questão teria sido doada pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Por ser vereador à época, Chico Batista não se enquadrava na condição de beneficiário do Incra. Góes aceitou e ficou residindo no local atuando como caseiro da propriedade.

Dias mais tarde, o político lhe pediu que fosse ao banco para aprovar um empréstimo. Francisco Góes foi, mas, como é analfabeto, não pôde tomar conhecimento de todo o teor dos documentos que referendou com suas digitais.

“Ele só me disse que tinha que fazer um empréstimo para comprar umas coisas, mas nunca me disse o que era”, contou o agricultor.

Góes não sabe qual o valor desse primeiro empréstimo feito em seu nome por Chico Batista. Sabe, porém, que há diversas parcelas em aberto, somando mais de R$ 5 mil.

Um novo financiamento foi feito, também no Banco da Amazônia, mas dessa vez sem qualquer conhecimento de Francisco Góes. Novamente, sobraram apenas as parcelas, que somam mais de R$ 9 mil para ele pagar.

Para agravar ainda mais os problemas, recentemente ele tomou conhecimento de que a Justiça o procurava para que esclarecesse o porquê da não construção de duas escolas rurais. Foi então que soube que Chico Batista, usando seu nome, havia feito um contrato com a prefeitura para a construção de três unidades de ensino. Por conta disso, o agricultor está respondendo a processo na Polícia Federal, já que os recursos foram pagos, mas a obra não foi realizada.

“Eu nunca nem tomei conhecimento desse negócio. Só soube que ele tinha usado meu nome para fazer esse contrato quando a polícia me procurou”, disse Francisco Góes.

Chico Batista garante que a vítima é ele

A reportagem procurou o candidato a vice-prefeito Chico Batista para ouvir seu lado da questão. Ele negou todas as acusações feitas por Francisco Góes e garantiu que ele próprio é quem é a verdadeira vítima.

De acordo com o político, Francisco Góes foi quem lhe tomou a terra. Mas confirma que transferiu a área para o nome dele por não se enquadrar nas exigências do Incra. Também confirmou ter feito empréstimo, mas que o dinheiro foi investido na terra. Nega, contudo, qualquer insinuação relacionada à construção de escolas para a prefeitura de Tarauacá.

“Eu nunca fiz escola, eu apenas era vereador. Quem liberava recurso era a prefeitura. Eu não tenho nada a ver com escola. Isso aí já foi resolvido”, afirma Chico Batista. “Inclusive, o ex-prefeito Vando [Torquato], eu processei ele, que se retratou perante a Justiça.”

Chico Batista diz que a denúncia de Francisco Góes, na verdade, é uma estratégia dos seus adversários para atingir sua candidatura de vice-prefeito.

“Ele está sendo incentivado por essa raça ruim. Eles incentivaram o meu caseiro para tomar tudo que era meu, pois ele era meu parceiro, e eles botaram o cara contra mim. E o meu caseiro tomou a minha casa com tudo que era meu”, queixa-se.

O relato é parte do processo judicial que está sendo preparado para sentença.