Irmã de prefeito, secretário de Comunicação e dirigente de ONG são presos na maior operação policial de Cruzeiro do Sul

Rosa Sampaio, ex-secretária de Meio Ambiente e atual dirigente de uma ONG em Cruzeiro do Sul, está presa na carceragem da Polícia Federal. O secretário municipal de Comunicação, Paulo de Sá, recebeu ordem de prisão em Rio Branco. A irmã do prefeito, Idelcleide Cordeiro, também presa, ficará no quartel da Companhia de Operações Especiais de Cruzeiro do Sul (COE), por ter diploma de nível superior. Outros dois gestores públicos foram presos, mas os nomes ainda não foram divulgados. A Operação Presságio estava em curso, por volta de 13:30h desta sexta-feira, cumprimento outros mandados judiciais na capital do Juruá.

A Pf fala numa quadrilha que cometeu crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, quadrilha ou bando, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, com envolvimento direto de agentes políticos, servidores da Prefeitura Municipal de Cruzeiro do Sul e por gestores de uma ONG que prestava serviços à prefeitura.

O clima na cidade é de velório, em especial nas repartições públicas “visitadas” desde cedo pelos agentes da PF. Muitos servidores e populares questionam a ausência do prefeito, que está em Brasília, em suposta agenda oficial.

Ilderlei Cordeiro gravou vídeo, ainda cedo, dizendo estar acompanhando a operação. “Aqui (em Brasília) jamais fiz esquema de corrupção, nem na minha cidade”, disse. Para ele, a operação é fruto de denúncias de seus oponentes “que não querem ver o desenvolvimento da cidade”.

Segue abaixo o relato da PF sobre o caso

A referida ONG, fundada em 1967 em Minas Gerais, foi contratada com dispensa de licitação pela prefeitura, entretanto jamais prestou os serviços que são objeto dos termos de colaboração firmados com o ente municipal. Ao todo foram firmados cinco termos com diversas secretarias da prefeitura, no valor de R$ 52.164.593,74 (cinquenta e dois milhões cento e sessenta e quatro mil quinhentos e noventa e três reais e setenta e quatro centavos). Até o fim do exercício de 2019, ela já havia recebido cerca de R$ 27 milhões.
Durante a investigação apurou -se que os serviços licitados pela prefeitura não foram efetivamente cumpridos, e sequer existe a possibilidade de que venham a sê-lo, até o fim da vigência dos contratos com a ONG supracitada. A referida ONG deveria até 2021 tornar Cruzeiro do Sul autossuficiente na produção de energia por meio do aproveitamento do lixo produzido no município. Com efeito, o serviço de coleta de lixo prestado em Cruzeiro do Sul está muito distante disso.*
O “modus operandi” da organização criminosa era complexo e envolvia diversas pessoas, tanto físicas quanto jurídicas. A grosso modo, os pagamentos que ela recebia da prefeitura eram utilizados para o pagamento de uma empresa contratada pela própria ONG. Essa empresa, que fora criada especificamente para prestar serviços à ONG em Cruzeiro do Sul, repassava os valores para diversas empresas de fachadas. Essas PJs, por sua vez, distribuíam o dinheiro entre os membros da organização criminosa.
Foram cumpridos sete mandados de prisão, trinta e oito mandados de busca e apreensão de mídias eletrônicas, processos licitatórios, notas fiscais e documentos diversos relacionados a investigação. Além disso, a Justiça decretou o bloqueio de R$ 3.840.000,00 dos investigados.
A operação foi batizada “OPERAÇÃO PRESSÁGIO” em razão da equipe investigativa ter detectado que os integrantes da suposta organização criminosa pressentiam e temiam que logo o esquema seria descoberto e eles presos.