Índios isolados do AC conhecem a civilização, se espantam com avião, energia e gelo e se esbaldam de comer sal e açúcar

Cinco índios de uma tribo isolada, recém descoberta nas cabeceiras do rio Envira, no Acre, fronteira do Brasil com o Peru, foram trazidos para a cidade de Feijó (AC) onde passaram um mês vivendo em companhia de outros indígenas emancipados da etnia jaminawa. O arredios depois voltaram para seu povo no meio da floresta.

O caso aconteceu em janeiro deste ano quando o cacique da aldeia Morada Nova, que fica localizada do outro lado do rio, em frente ao porto da cidade de Feijó, a 366 quilômetros de Rio Branco, subiu as nascentes do Envira com objetivo de matar a curiosidade. Souberam que os índios identificado pela FUNAI estariam tentando manter contato com a etnia Campa/Ashanika que habita a região.

“A gente já desconfiava que eles falassem a mesma língua nativa da gente e por isso fomos até lá para facilitar o contato deles com as pessoas que moram na região. Depois de uma sequência de encontros com troca de presentes, alguns quiseram vir com a gente conhecer nossa casa e a cidade”, disse ao acjornal o cacique jaminawa Carlos Brandão.

A permanência na cidade teria sido uma aventura repleta de descobertas nunca imaginadas pelos indígenas, que até bem pouco tempo nunca tinham ouvido falar em energia elétrica, telefone celular, automóvel, avião, gelo e roupas para cobrir o próprio corpo.
“Tudo o que a gente mostrava para eles era um espanto, seguido da curiosidade de querer tocar ou experimentar. Levamos eles para comerem em restaurante, passeamos de carro e de moto e falamos ao celular”, lembra Carlos Brandão.

O sal e o açúcar foram os temperos que mais despertaram a gula nos índios isolados, ao ponto deles não querer outro tipo de comida a não ser o próprio açúcar industrializado.
Já o sal de corzinha, apesar da preferência no paladar, teria causado desconforto estomacal a um deles e o consumo passou a ser mais moderado, sob controle dos outros indígenas.
O grupo que veio para a cidade era formado por quatro homens já adultos e uma mulher com idade aproximada de 25 anos. Eles não tinham nome na língua portuguesa e só atendiam pelo apelido no idioma de sua tribo, descendente do tronco lingüístico Pano.

Para evitar a aproximação desnecessária de curiosos, o cacique Carlos Brandão orientou seu povo a não comentar na cidade sobre a presença de índios isolados na Aldeia Morada Nova. A vinda dos índios isolados para acidade foi monitorada por especialistas da FUNAI em respeito à vontade própria deles em acompanhar os outros indígenas.

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