Idoso pode ter infectado 50% dos portadores de Covid-19 no AC. Com Jorge Viana, que não é citado, casos reais seriam 24 ou 25

O ex-governador e ex-senador Jorge Viana não foi citado em nenhum boletim da Secretaria de Saúde como caso positivo para Coronavírus. Não houve erro do governo acreano, mas cautela em obedecer os protocolos que disciplinam a questão, uma vez que o ex-senador realizou o teste no Distrito Federal, para onde viajou, em avião de carreira, já infectado, após frequentar atos políticos em plácido de Castro, Rio Branco e Capixaba. Ele tentou despistar para não ser citado. Mas quem consegue essa façanha em tempos de pandemia e em terra de muro baixo?

Os 23 casos anunciados nesta quarta-feira não seriam reais. A conta é simples: é preciso considerar que Viana foi contaminado no Acre e sua companheira também estaria em tratamento contra o Covid-19. Além disso, como revela em áudio uma colunista social, o ex-governador abraçou, beijou e manteve contatos demorados com uma dúzia de gente durante um encontro social antes de tomar o voo para Brasília.

O que também preocupa é o fato de um idoso de 81 anos ter transmitido o vírus a pelo menos 10 pacientes que já foram testados positivamente.

Antes e depois do dia 10 de março, quando realizou o teste, o presidente da Cooperacre esteve com os funcionários e demais diretores da sua cooperativa; recebeu atendimento presencial na Receita Federal, onde retirou certidões e fez biometria (um servidor que o atendeu está com Covid-19) e compareceu em atos de filiação ao PT no interior do estado. Por onde mais teria andado seu Manoel, quando, ao desrespeitar orientações dos profissionais de saúde, deixou de se isolar? Os infectados no Acre deveriam ser bem menos, pelo menos os anunciados oficialmente, não fosse isso. É bem verdade que ainda há pacientes aguardando provas e contra provas, sugerindo que os infectados em nossos domínios cresça exponencialmente.

É importante reconhecer que os primeiros infectados no Estado – três arquitetos, dois empresários e uma advogada – seguiram as normas e protocolos de saúde. Comunicaram as autoridades que estavam com sintomas, entraram em isolamento social e, assim, evitaram a proliferação do vírus entre pessoas próximas. Se todos assim tivessem feito, o Acre não teria tantos casos para uma população tão baixa.

Ainda bem que as autoridades de Saúde, governo do Estado e prefeitura, apesar dos percalços, têm realizado um excelente trabalho de prevenção e atendimento aos infectados.

Lamentável apenas que o ex-governador não tenha confiado no sistema público acreano, que ele sempre defendeu, e preferiu voltar para a Brasília de sua juventude, em busca de isolamento social e tratamento de “primeiro mundo “.

Por aqui, apesar disso, a vida segue e as vítimas estão, graças a Deus, reagindo bem ao tratamento.

Impossível não elogiar os médicos e profissionais de saúde locais pelo bom trabalho. Afinal a situação poderia estar pior.

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