Governo contrata seguro para 45 ambulâncias, mas apenas 28 estão rodando no Acre

O Governo do Acre diz haver a necessidade de segurar 45 ambulâncias. Esta é a quantidade de veículos para transporte de pacientes graves indicada na contratação de seguro, em valores que superam R$ 334 mil, de acordo com o Diário oficial da última segunda-feira (18). Mas o Setor de Transportes da Secretaria de Saúde informou que “apenas 28 delas estão operando em todo o estado. Ou seja, haveria uma ambulância para cada município, somando-se a estas outras quatro que atendem as UPAs da capital e outras três no Vale do Juruá.

A matemática do Samu não bate com a informação oficial repassada por um funcionário da Sesacre, que pediu sigilo da fonte. “A menos que estejam fazendo seguro daquelas ambulâncias velhas, que já não servem para nada e estão encostadas nas oficinas sem condições de percorrer distâncias mínimas”, disse o funcionário. Ele se referiu às ambulâncias modelo Ranger, prestes a entrar na lista de patrimônio inservível do estado. Uma denúncia anônima aponta para o uso criminoso de chassis ainda ativos no sistema da Sesacre para justificar repasses federais. Esses chassis são de carcaças que podem ser vistas nos depósitos do governo. Para cada veículo considerado “em operação”, o governo federal envia ao Acre recursos mensais destinados a manutenção de frota. Os valores variam de R$ 20 mil a R$ 43 mil por unidade. Já o valor do seguro chega a R$ 100 mil.

Chama atenção a extrema deficiência no atendimento médico de urgência em cidades como Tarauacá, Sena Madureira e Brasiléia, respectivamente quinta, terceira e quarta cidades mais populosas do estado. Na chamada “terra do abacaxi”, uma cena de descaso repercute nas redes sociais: uma idosa sendo transportada na carroceria de uma viatura do corpo de bombeiros, numa cadeira de balanço. A reportagem fez novo contato com o Hospital Sansão Gomes, na tarde desta quinta-feira. Oficialmente, foi dito que a única ambulância de Tarauacá estava fora da cidade há quatro dias. O veículo foi usado para transporte de material cirúrgico até Feijó (ouça na gravação abaixo). Aliás, quando não podem socorrer pacientes, os veículos do Samu são vistos encostados, quebrados, nas oficinas mecânicas.

“Imagina aqui em Manoel Urbano que nem ambulância tem e nem os Bombeiros. Só na fé em Deus aqui irmão, somos esquecidos. Acho que não fazemos parte do Brasil”, protesta o internauta Nando Canafise. “Cena comum aqui em Sena Madureira também”, completou Rayneri Cunha.

A ambulância de Sena Madureira passou a manhã e parte da tarde atendendo ocorrências fora da cidade. A mesma situação a reportagem verificou com a viatura de Brasiléia, que somente abastece em Rio Branco. Ou seja, o carro gasta meio tanque de combustíveis para viajar 210 quilômetros até a capital, onde é tanqueada, e volta para a cidade de orígem gastando mais um-terço do tanque. Não haveria posto de combustíveis licitado no município.

Porto acre está descoberto por uma ambulância de Rio Branco é destacada para socorrer pacientes daquela cidade, da Vila do Incra, da Vila do V e ramais próximos.

Aguardamos respostas da Assessoria da Sesacre sobre a lotação de ambulâncias por municípios.