Em Feijó, Funai resgata indígenas das ruas e cacique ameaça prender quem desrespeitar a quarentena na aldeia

O cacique Carlos Brandão Shanenawa, reuniu todos os pais de família de sua etnia, na manhã deste sábado (21/3) para comunicar que qualquer membro da aldeia Morada Nova que desrespeitar a determinação de quarentena em casa vai ser preso. Uma cadeia improvisada foi montada dentro da aldeia.

Carlos Brandão ainda foi mais duro ao afirmar que o menor de idade que sair da aldeia sem consentimento da liderança local será punido. Em conversa por telefone com o Acjornal, o cacique Shanenawa explicou as razões.

“Desde ontem, sexta- feira, nós recebemos orientação da FUNAI para ficarmos em casa. Mas hoje pela manhã descobri que alguns indígenas não estavam obedecendo essa determinação”, disse.

Mais cedo, uma espécie de patrulha da Fundação Nacional do Índio havia percorrido as ruas do centro da cidade de Feijó e localizado vários indígenas passeando pelo comercio local.

Todos foram recolhidos imediatamente para a aldeia, que fica do outro lado do rio, bem em frente ao porto de Feijó (AC).

A liderança indígena descobriu, também, que alguns índios haviam alugado casas na cidade para passarem esse período de 15 dias de quarentena, determinado pelo governo do Estado.

Todos estão sendo localizados e levados de volta para a aldeia.

“Estando todos aqui na aldeia é mais fácil para a gente tomar decisões que imponha medidas de proteção coletiva contra o corona vírus, diisse o cacique.

Carlos Brandão é a maior liderança do povo Shanenawa do Rio Envira e suas ordens foram repassadas a todas as outras 4 aldeias da etnia na regional do Envira/Tarauacá, atendendo a orientações da Fundação Nacional do Índio.

Desde sexta- feira a Funai suspendeu visitas de estrangeiros às aldeias de todo os Brasil e determinou a saída de qualquer pessoa Branca que estivesse a passeio turístico pelas aldeias.

No caso dos índios Shanenawa do Envira/Tarauacá, a liderança principal enumerou os nomes dos índios que podem vim à cidade comprar alimentos para o restante da comunidade.

Ele determinou, também, que para sair da aldeia o índio precisa pegar uma autorização por escrito, assinada pela liderança local, estipulando o horário de saída, previsão de retorno e o destino, justificável, na cidade.

“Aqui a gente ainda não tem nenhum caso suspeito de corona virus entre nós, mas nosso povo tem imunidade baixa para essa doença e por isso todo cuidado de prevenção é pouco”, concluiu.

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