Editorial – Povo apóia o ato de coragem de Cameli. subestimaram demais quem não pode ser negligente

O que parecia ser um dia normal de agendas e compromissos administrativos se tornou uma tarde de crises, debandadas e correrias de parlamentares da base, surpreendidos por uma decisão do governador Gladson Cameli que abalou gabinetes e salas de reuniões. Ninguém ousou apostar um vintém no que a edição extra do Diário Oficial estamparia instantes depois – consequência de avisos e alertas feitos lá atrás, no início da gestão, quando acharam que o jovem governador deveria ser tomado pela aparência de um garoto envaidecido pelo poder. Ledo engano.

Nenhum outro assunto pautará o ambiente político pelas próximas horas ou dias.

A Decisão dos deputados de derrubar os vetos governamentais sugeridos pelo Palácio Rio Branco forçou o governador Gladson Cameli a tomar as decisões necessárias e acertadas. O governador não quer e não deve ser negligente como seu antecessor, que lhe entregou o cofre do estado praticamente vazio e um caderno interminável de dívidas a serem quitadas.

Com a LRF – Lei de Responsabilidade Fiscal -, beirando aos 61%, ou se exonerava comissionados ou se permitia o cenário de despesas, adiando, sabe-se lá até quando, o sonhado equilíbrio fiscal. Foi um ato de coragem.

Amanheceu a sexta. O governador manteve-se irredutível, embora as pressões não cessem e as chantagens daqueles que se dizem defender os interesses do povo na função de seus mandatos, mas estavam com a casa toda nomeada dentro do governo, espaços privilegiados, onde alguns sequer cumprem suas funções de verdade.

O ACJornal foi pesquisar nas redes sócias o resultado prévio das discussões e comentários que foram gerados pela decisão do governador e sentir o que as pessoas acharam de tudo isso. De cada 10 comentários e postagens, 8 são favoráveis às medidas adotadas pelo chefe do Executivo.

O povo acreano tem inúmeras críticas à política de apadrinhamento adotada pelo PT ao longo dos 20 anos. Cota de cargos comissionados e benesses intermináveis para deputados da base, eram a moeda corrente na relação Parlamento e governo, resultando em um estado sucateado e sem crescimento nas áreas essenciais.

Que necessidade tem um parlamentar ou secretário de enfiar toda sua casa dentro das estruturas financeiras do governo?

O governador tem apoio popular e deve aproveitar esse importante fator, pois ficará ruim para os deputados, que viram seus filhos, cônjuges, irmãos, sobrinhos e segundo as más línguas até amantes perderem suas CEC’s, estrebucharem publicamente.

Se os deputados insistirem nessa rebelião pela perda das suas boquinhas, ficarão escrachados perante a sociedade e serão altamente desgastados por, como está claro, fazer a batalha nojenta em defesa de interesses familiares.

As pessoas gostaram ainda mais por conta da relação transparente: todas as exonerações saíram nominalmente, para não restar dúvida da segurança que se tinha com a divulgação da lista.

Com certeza o ex-governador Tião Viana (PT) não teria adotado a postura que Gladson Cameli adotou. E talvez essa coragem seja o motivo que levou as centenas de manifestações de apoio nas redes sociais.

Gladson governa em um ambiente financeiro adverso e suas decisões podem dar o rumo certo para o governo dar certo. A economia de centenas de cargos abrem um leque de possibilidade aos trabalhadores da saúde, educação e segurança, que lutam há anos por valorização profissional e melhores condições de trabalho.

Em apenas nove meses, o governo convocou quase 33 policiais civis e militares aprovados em concursos, está convocando mais de 250 professores efetivos e realizando diversos processos seletivos nas mais diversas pastas do governo. Tudo para melhorar a máquina administrativa e cumprir os compromissos assumidos com a sociedade.

O governador tinha duas opções depois dessa tarde de crise com sua base de apoio na ALEAC:

01 – Ceder às pressões, renomeando os apadrinhados dos deputados. Seria avalizar o oportunismo e rebaixando as credenciais do governador frente ao povo.

02 – Manter a decisão, fortalecendo sua força perante a opinião pública, fazendo caminho diferente do que tem sido trilhado até aqui, nessa relação executivo e legislativo. Mais que isso, impondo respeito.

O ambiente do governo está fervendo de interesse pessoais, planos de fortalecimento da política de modelo “Familiocrata” , totalmente inadequado e fora do alinhamento de construção coletiva.

As críticas nesses 9 meses de governo são de pessoas ou categorias que acreditam na mudança proposta pelo plano de governo que os acreanos votaram. Nenhuma manifestação é sinônimo de saudades do jeito PT de governar, mas sim mostrando para o governador que sua equipe ainda esté em formação e que eles precisam compreender o tamanho da missão que cada um tem pela frente.

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