EDITORIAL: O que o repórter do Estadão não disse, mas virou manchete maldosa da imprensa oficial no Acre

Por 8 anos, trabalhei naquele bastidor do Congresso. Dentre tantas atribuições, produzi discursos, relatei à minha assessorada as decisões mais importantes das comissões, cobri toda a atividade legislativa e acompanhei as dificuldades para aprovar desde um simples requerimento até o mais importante projeto de lei. É óbvio que a agenda de um deputado ou senador está sempre focada na liberação de suas emendas, independente de outras atribuições do mandato, afinal quem detém cargo eletivo deve satisfação ao seu eleitorado.E não é fácil agendar audiência num ministério. Tampouco importa se o chefe de estado está no cafezinho, no banheiro, no corredor de uma repartição ou no conforto de seu gabinete.
Uma autoridade da República tem a prerrogativa, mesmo que fosse um cidadão comum, de abordá-lo, sempre que houver oportunidade, para reivindicar a liberação de recursos para obras vitais, de interesse coletivo. Me incomodou a manchete maldosa, certamente soprada pelos carniceiros do PT, em que o deputado Alan Rick é citado num suposto “flagrante”, no calor da votação desta quarta-feira, com o ministro Ybassaim. Tudo mentira. O episódio nada mais é que mais um capítulo da perseguição reiterada, que começou, de forma violenta e traiçoeira, logo que o parlamentar-jornalista decidiu-se pela filiação a um partido de oposição por discordar da estratégia daninha, criminosa e rasteira com que a Frente Popular do Acre conduz seu projeto de perpetuação no poder. São tão vagabundos e calhordas que, num ato de vingança extrema, com fins de atingir o deputado, retiraram de folha uma idosa, sua genitora, que deu a vida pelo serviço público e contava os dias para aposentar-se. Querem maior exemplo de gestão satanista?
Pois bem. O repórter do Estadão, que cobria a sessão desta quarta, em nenhum momento mencionou haver “flagrante”.  Ele avistou duas autoridades se cumprimentando e, no exercício de seu ofício, naturalmente, quis saber do que se tratava, afinal a presença de um ministro ali dentro chama a atenção de qualquer um, dada a circunstância do momento. A reportagem do Estadão, repito, não incrimina ou faz juízo de valor, apenas relata a conversa informal. Muito diferente do que setores da mídia do Acre, sem qualquer respaldo, manchetou, leviana e covardemente.
A bem da verdade, o deputado Alan Rick cumpriu mais uma etapa de um mandato muito bem avaliado, sugerindo ao ministro a liberação de uma emenda impositiva, que é direito e obrigação do parlamentar, e tem previsão legal (R$ 1.6 milhão para reforma do prédio da Funasa, recursos esses empacados há vários anos). O que você faria se, ao encontrar alguém que lhe deve vultosos recursos? Ficaria parado? Ou buscaria justificativas para o não pagamento? Isso é bem diferente de uma negociata espúria por cargos, por exemplo.
A bem da verdade, o deputado acreano, como todos viram, votou pelo recebimento da denúncia contra Temer, eliminando quaisquer possibilidades de ter-se envolvido em supostas negociatas. Creio na licitude do gesto do deputado, com quem tive o cuidado de falar antes de delinear este comentário. E creio, mais do que qualquer cidadão acreano, na capacidade de o PT fazer as coisas mais horrendas para tentar neutralizar aqueles que o ameaçam politicamente. Pena que a nossa imprensa se submeta a um jogo tão sujo e desmoralizante.
Texto: Assem Neto