Desmatamento acelera extinção do açaí nativo. Safra no Acre diminui ano a ano

O período da coleita do açaí nativo começa agora, a partir do dia 15 de janeiro e vai até meados de maio, nas regiões ribeirinhas do Estado do Acre.

No entanto, os catadores do fruto não estão muito entusiasmados com a quantidade da safra desse ano, que ameaça ser bem menor do que a do ano passado, que também foi inferior à anterior.

No município de Feijó (AC), maior produtor do vinho de açaí nativo do Estado, a quantidade de cachos por palmeiras está abaixo da média das safras anteriores, segundo os próprios catadores.

“Antigamente os pés de açaí chegavam a soltar até quatro cachos. Mas de uns tempos para cá no máximo e de dois a três cachos, diz dona Rosailda da Silva, produtora do vinho de açaí no bairro Zenaide Paiva, na cidade de Feijo (AC).

A diminuição sequencial na safra do açaí nativo também reduz os postos de trabalho temporário. O marido de dona Rosailda Silva já chegou a contratar 10 homens para tirar açaí com ele. Mas hoje o número de trabalhadores do seu Francimar da Silva e Silva não passa da metade disso.

“Muito tirador de açaí bom quer trabalhar. Mas a cada ano ta tendo menos serviço por causa da redução da safra”, lamenta.

A redução da safra pode estar relacionada às consequências do aquecimento global e ao avanço do desmatamento.

É o que aponta um estudo feito por pesquisadores brasileiros e holandeses, publicado na revista científica americana Nature, em Agosto de 2018.

” Em todos os cenários que nos avaliamos, o açai nativo da amazônia entra em risco de extinção, no máximo, daqui 30 anos”, alerta Victor Gomes, cientista ambiental, participante da pesquisa.

Para chegarem a essa conclusão os cientistas analisaram os efeitos do aquecimento global no ciclo produtivo da palmeira do açaí e o desaparecimento da espécie por metro quadrado de floresta derrubada todos os anos na Amazônia.