Presa, deputada diz que imunidade foi violada, chama as mesmas testemunhas de Josa da Farmácia e juíza apressa oitiva

A deputada Doutora Juliana (PRB) tentou convencer a corregedora eleitoral, Maria Olívia Ribeiro, que as provas que resultaram em sua prisão por crime eleitoral “foram obtidas de forma ilícita”. A deputada também argumenta que não poderia ter sido presa, em razão do que seus advogados chamaram de “imunidade prisional”, pelo fato de a ré ser parlamentar – mesmo diante das fartas provas de desvio criminoso do fundo eleitoral para beneficiar a sua campanha. A quebra do sigilo bancário, alega Juliana, foi uma decisão arbitrária, sustentou a defesa da deputada.

A juíza não perdeu tempo com os argumentos da defesa. “Deixo para levar estas questões à Corte (tribunal), juntamente com o julgamento de mérito da ação. Portanto, não é o caso de antecipar para este momento processual o exame e as consequências da prisão que foi decretada à Requerida JULIANA RODRIGUES DE OLIVEIRA”, despachou a magistrada. Juliana foi presa por ordem do juiz da Nona Zona Eleitoral.

As testemunhas arroladas pelos réus serão ouvidas em dois dias (21 e 22 de março), na sede da 5 Vara Cível de Rio Branco, inclusive as do pastor Manuel Marcos, deputado federal eleito e, da mesma forma, preso na Operação Santinhos da Polícia Federal.

Causou surpresa à juíza o fato de a deputada Doutora Juliana ter listado como suas testemunhas as mesmas testemunhas arroladas pelo deputado reeleito Josa da Farmácia, que também responde por crime de abuso de poder econômico.

A juíza Maria Olívia mandou expedir carta de ordem para os seguintes juízos
eleitorais:
– Juízo Eleitoral da 4ª Zona para oitiva das testemunhas Francisco Souza
Cruz (Marechal Thaumaturgo) e José Gladson Souza Mota (Mâncio Lima);
– Juízo Eleitoral da 8ª Zona para oitiva das testemunhas Patrícia Andrade
Vitorino e Edvaldo da Costa Melo.

No caso da testemunha João Batista V. da Silva, residente no Município de
Porto Acre, com endereço indicado na Vila Caquetá, cuja distância da Capital é de cerca de 70 quilômetros, diz a juíza, “não há razão que justifique a expedição de Carta de Ordem para a 1ª zona, que tem sede em Rio Branco, razão por que será ouvida nesta Capital, juntamente com as demais testemunhas que aqui residem”.