Carnes mais consumidas pelos pobres sofrem reajuste de até 110%. Confira

A tabela de preços exposta em um açougue, na periferia de Rio Branco, 3 meses atrás, revelava que a carne bovina, naquela época mais barata, é a que mais vem sofrendo reajuste quando comparado à planilha de valores praticados hoje nos mesmos açougues dos bairros mais afastados do centro da capital acreana.

Observe que o quilo de coração bovino custava 6, 99 reais. Hoje está sendo vendido por 9, 65 reais – aumento de 52% em menos de 3 meses.

A panelada mais que dobrou o preço – saiu de 5,50 reais para 11,99. Nesse caso, o reajuste é de 110%.

A costela saiu de 7,80 para 13, 69 reais. Aumento de 98%.

Até a carne moída, feita do aproveitamento da sobra de outras carnes, está custando 111% mais cara.

Segundo seu Francisco Gomes de Araújo, açougueiro ha mais de 15 anos no bairro Tancredo Neves, a carne citada acima é a mais procurada pelos consumidores mais pobres.

“Em termo percentual a carne consumida pelos pobres é aqui tem sofrido mais elevação de preços”, diz ele.

O reajuste de preços estipulado pelos frigoríficos é repassado para o açougue e incluso no valor do produto para o consumidor final.

O governo alega que os reajustes constantes da carne bovina a partir de novembro do ano passado para cá deve-se à lei de mercado da oferta e da procura.

Em nota, o Ministério da Agricultura e Pecuária declarou que não pretende estabelecer regras para controle e congelamento do preço da carne.

O próprio presidente da República Jair Bolsonaro, em tom de deboche, orientou a população brasileira, que não tem mais condições de comprar carne bovina, a comer somente, ovo de galinha.