80 chefes de família estão marcados para morrer na divisa com Acrelândia. Mandantes são denunciados na PF

Em documento confidencial assinado por vinte e três posseiros, um grupo de madeireiros muito poderoso é apontado como principal interessado na morte de 80 famílias rurais no Sul de Lábrea, divisa com o município de Acrelândia. Os posseiros foram à Polícia Federal (ouça abaixo) com nomes e provas dos madeireiros que expulsaram centenas de adultos, idosos e crianças e promoveram a chacina ocorrida no Seringal São Domingos, há três semanas, quando quatro pessoas foram mortas a tiros. Ao menos 80 chefes de família devem morrer, segundo relataram os denunciantes na Polícia federal há duas semanas. 

As famílias alvo dos madeireiros já foram expulsas várias vezes. No último ataque (com as quatro mortes), foram avisadas que se ousarem entrar nas terras não sairão com vida. Nos lotes, há produtos à espera da colheita e muito gado, alem de propriedades e outras benfeitorias. 

Um dos denunciantes sofreu atentado nesta segunda-feira, ao chegar em casa para almoçar. Um motoqueiro atirou duas vezes na direção do motorista da caminhonete, mas quem estava ao volante era o filho de 19 anos do chacareiro Carlos Passos. O garoto levou um tiro no tórax. O projétil atravessou o pulmão. No Huerb, Adam Passos permanece em estado crítico, mesmo após uma demorada cirurgia para remover a bala. Foi o décimo atentado sofrido pela família, e pelos mesmos motivos: a cobiça pelas terras onde há farta quantidade de madeira, interesse maior dos grupos que, habitualmente, se impõem na região às custas de ameaças e intimidações.  

O Incra não tem dinheiro para destacar recursos humanos a fim de vistoriar as áreas que estão em conflito. A reportagem teve acesso a um orçamento datado do final de 2018, em que o chefe regional (sob a jurisdição de Boca do Acre (AM)) pede recursos para pagar diárias, comprar pneus, alugar barcos e custear outras despesas. 

O acjornal localizou outro posseiro que está na lista de 23 denunciantes. O homem não terá o nome revelado. Ouça a entrevista exclusiva em que o posseiro admite: o incra, os governos e demais autoridades assistem passivamente as pessoas morrerem, sem que nenhum providência seja tomada: