Piloto de helicóptero no Acre e ex-subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel é condenado por agredir ex-companheira: “machista”

O coronel Cleyton Almeida de Oliveira, piloto do Helicóptero João Dinato, do Governo do Acre, foi condenado a 1 ano e 20 dias de detenção por ter causado lesões físicas e psicológicas à ex-companheira. O coronel fez a vítima passar por muitos momentos de  desprezo e humilhações e ainda a culpou ter ter engravidado. Laudos médicos foram juntados às provas e ajudaram a juíza a tomar a decisão. Os documentos apresentados à justiça mostram as consequências psicológicas causadas à vítima: insônia, ansiedade, desassossego e perseguição. A primeira notícia sobre o caso foi dado pelo pelo site agazeta.net.

O oficial bombeiro também foi sentenciado pelas práticas dos crimes de lesão corporal e pela contravenção penal chamada de vias de fato, que é quando há contato físico violento, mas sem gerar lesão. No caso, ele segurou os braços da mulher até ficarem vermelhos, pois queria pegar o celular dela. O militar responde outros oito processos pelas mesmas acusações. Ao somar 2 anos de prisão, ele pode ser automaticamente expulso da corporação.

“O acusado diminuía a autoestima da vítima dizendo para ela ‘que ela não tinha valor, que não se amava ou respeitava, que não era honesta consigo mesma”, disse em sua sentença a juíza Shirlei Hage, titular da Vara de Proteção à Mulher de Rio Branco. Kleyton acusou a mulher de engravidar propositalmente quando ele havia deixado claro que não queria um filho dela. Para a juíza, trata-se de “uma postura totalmente machista quando a responsabilidade por gerar um filho é das duas partes”. O militar quis imputar à vítima a culpa de não se cuidar em relação aos métodos contraceptivos, entendeu a magistrada.

Inicialmente, Kleiton Almeida deve cumprir a pena em regime aberto, além de precisar pagar R$ 5 mil como reparação mínima para a vítima.

O acjornal denunciou Kleyton Almeida há vários meses (veja abaixo) e o Comando do Corpo de Bombeiros até chegou a abrir sindicância interna, que não deu em nada.

Kleyton era subcomandante geral no governo Tião Viana. No governo Gladson Cameli, foi exonerado do Ciopaer (Centro Integrado de Operações Aéreas do Acre) após atacar a vítima em seu Instagram.

Na ocasião, ele chamou o jornalista Assem Neto, autor das denúncias, de “Filho de rapariga”. Atualmente, exerce a função de ajudante geral do Comandando Geral, um espécie de chefe de gabinete. Após esta condenação, ele usou o Instagram mais uma vez para chamar a vítima de “vagabunda” e vários outros adjetivos e acusou mais uma vez o repórter, juntamente com coronéis desafetos da PM e BOMBEIRO, de queremos destruir a carreira dele.

O militar se julga um “servo de Deus”. Instantes após, ele apagou a postagem e seu apareceu como se tivesse sido hackeado (veja ao lado). Numa queixa-crime contra ele, uma militar disse na polícia que Kleyton a assediou numa missão em Porto Velho. “Caiu na toca do lobo, já era”, teria dito o militar, segundo boletim de ocorrência.

“É certo que viver nesse quadro de um relacionamento conturbado contribuiu para agravar seu sofrimento psicológico, configurando, assim, o crime de lesões corporais à saúde da vítima causadas pelo comportamento reiterado do acusado”, registrou a juíza Shirlei Hage na sentença.