Ibaneis Rocha, governador do DF, segue Gladson e também denuncia máfia entre empresas e servidores públicos

Quando teve acesso aos primeiros relatórios da transição de governo, Gladson Cameli, naquela época eleito mas não empossado, sabia que deveria tomar uma decisão marcante na sua gestão. E assim o fez. Veio a público e afirmou haver uma quadrilha composta por empresas contratadas pelo estado e gestores públicos.

Poucos dias se passaram desde a declaração que deixou inquietos alguns empresários e gestores de primeiro e segundo escalões. Veio o anúncio do novo secretariado e o governador insistiu em esclarecer à população a dificuldade de governar diante do que chamou de cartelização no serviço público. Algumas exonerações não estancaram a sangria nos cofres públicos.

A Saúde, em especial, continha os maiores indícios de corrupção, obrigando o governador a instituir força tarefa composta por procuradores do estado para identificar serviços regularmente prestados e descartar os acordos espúrios, firmados na gestão anterior. Ou seja, quem apresentou a fatura sem entregar o serviço não recebeu. E não vai receber. Três secretários passaram por ali em menos de um ano. Apesar do esforço, o problema, de fato, era gestão, não exatamente financeiro. “Mostrem-me onde está a corrupção e eu tomarei as providências”, conclamou Gladson. O governador virou bombeiro e viu o seu tempo para governar cada vez menor.

O governador disse que o governo está montando dossiês com os processos antigos para que o Ministério Público possa avaliar a correção e, se for o caso, abrir apuração.

A saída foi, então, abrir as portas das secretarias para os órgãos fiscalizadores. Chamou TCE, TCU, PF, CGU e até as polícias estaduais. Nesta quinta (5) a Polícia Federal entrou na Sesacre, apreendeu contratos superfaturados e levou gestores públicos coercitivamente para depor. “Toda investigação se rá apoiada pelo nosso governo. Não iremos admitir roubo. Não é esse o legado que eu quero deixar”, afirmou o governador.

Se deu certo a iniciativa de Gladson em denunciar a corrupção no seu próprio governo, esta medida tinha que ser copiada por alguém com a mesma coragem. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que o diga. Ele denunciou que existe uma “máfia” dentro do sistema de licitações e contratos na capital da República. E acusa empresas e servidores de fazer parte de um esquema.

De acordo com o emedebista, empresas não apresentam propostas em licitações e ficam esperando as contratações emergenciais, nas quais oferecem valores superiores para executar os serviços. Na operação desta quinta, no Acre, a empresa Paz Ambiental, sediada em Vilhena (RO), é acusada de dar propina a servidores do Estado do Acre – copiando o mesmo esquema que o governante brasiliense acaba de denunciar.

Isso ocorreu, por exemplo, com a merenda escolar. Segundo Ibaneis, foi lançada a compra do frango para as escolas e nenhuma empresa se apresentou. Porém, quando veio a licitação emergencial, uma das interessadas colocou proposta 10% acima.

O governador disse que o GDF tem encontrado dificuldades nos processos licitatórios e isso vem sendo apontado pelo Tribunal de Contas do DF (TCDF) há muitos anos. “Tanto que as prestações de conta dos governos apontam a questão de pagamento sem cobertura contratual. Muitos pagamentos indenizatórios”, ressaltou.

E prosseguiu: “Essas dificuldades estão vinculadas a grupos que estão atuando dentro das secretarias. Em especial, as de Saúde e Educação. Todas as vezes que nós identificamos, exoneramos servidores. Só que está chegando a um ponto muito grave que merece realmente uma apuração dos órgãos de segurança e do MPDFT”, afirmou.

“Não estou acusando ninguém. Só estou dizendo que, pelas dificuldades em realizar as licitações, tenho notado que tem alguma coisa muito incrustrada. Eu como um homem experiente na área do direito não vou deixar isso permanecer dentro do nosso governo”, afirmou Ibaneis Rocha.
Com informações do Metropoles