Deputado, advogado e populista, Roberto Duarte acha ruim o governo economizar R$ 4 milhões na compra de veículos

REDAÇÃO

Por Assem Neto

O deputado Roberto Duarte (MDB) tem algumas qualidades enquanto tribuno e crítico do governo. As suas intervenções são necessárias à prática do contraditório, princípio balizar da Carta Maior e das relações republicanas. Todavia, essa ação parlamentar começa a enveredar pelos tortuosos caminhos do proselitismo e da contumaz necessidade de se “jogar para a platéia”. A crítica por causa da aquisição de viaturas em São Paulo poderia ter sido feita por qualquer deputado, menos por ele. Duarte é ligado a empresário que controla a Volkswagen no Acre.

O parlamentar centra sua crítica afirmando que o Estado deixa de valorizar as empresas locais que geram emprego e renda. E que a economia de R$ 4 milhões inexiste e quem ganhou com a transação comercial teria sido o governo do Estado de São Paulo. Caso os gestores tivessem adquirido os veículos no Acre, deixando de fazer a economia, será que o parlamentar não faria a mesma crítica dizendo: “poderia ter economizado R$ 4 milhões se tivesse comprado diretamente na fábrica”?

Duarte disse também que o governo ainda não tem um plano de desenvolvimento econômico para o Estado. Também achamos, porém convidamos vossa excelência para um debate público, no qual o senhor poderá expor as suas propostas para criarmos um modelo capaz de trazer o tão propalado desenvolvimento. Também queremos saber o que senhor pensar sobre financiamentos do Basa, BNDES, dos bancos internacionais, a dívida dos Estados com a União, o pacto federativo e a municipalização. O que o seu mandato fez para tanger a Suframa de Manaus e a Sudam de Belém?

Da mesma forma, também queremos saber o que o senhor pensa e propõe sobre agricultura familiar, agroindústria, corredores de exportação e os produtos vocacionais das nossas regiões. Por estarmos numa das maiores biodiversidades do planeta, é de bom alvitre sabermos quais as suas propostas para desenvolver as regiões do Vales do Juruá e do Alto Purus. O que o senhor propõe para as populações indígenas, principalmente no tocante à saúde, demarcação de terras e formas de gerar renda nas aldeias?

Todos esses e outros temas poderiam vir à baila em debates na tribuna, bem como em forma de projetos de lei. Isso o senhor não quer. Na ultima pesquisa de intenção de voto para prefeito da nossa Capital, vossa excelência apareceu com um número bem sintomático para o tamanho do seu mandato, ou seja, cerca de 1%. O governo tem problemas, tem erros e desarranjos. Porém, tem a ousadia e uma enorme vontade de melhorar a vida dos acreanos, ao contrário dos que olham apenas para o seu umbigo.

Voltando à questão das viaturas, tive o cuidado de ouvir o secretário de Segurança Pública, paulo César. Ele não quis enfrentar o deputado, mas deixou claro que a crítica é política. Ora, eu acrescento ter sido inoportuna, desnecessária e inapropriada para quem diz ser conhecedor do arcabouço jurídico. Eis a fala do secretário:

“Eu, gestor, de acordo com o princípio da economicidade e transparência, estou sujeito a sanções dos órgãos fiscalizadores e tomadores de contas públicas. Não penso duas vezes antes de comprar mais barato. Nosso momento financeiro não é bom e todos sabem disso. Nós economizamos, sim, R$ 4 milhões na aquisição de 120 viaturas que servirão todas as forças de segurança pública e irão, se Deus quiser, dar uma cobertura necessária ás nossas fronteiras. O governador acertou ao optar por esta comprar. É natural se submeter ao menor preço. Anormal seria o contrário”, disse Paulo César. 

 

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