Tchê, a aposta que deu certo na liderança do Governo Cameli: “o Acre respira liberdade e caminha para um modelo econômico gerador de riquezas”

REDAÇÃO

Por Jorge Natal

Quando chegou ao Acre em 1985, José Luis Schafer, hoje aos 59 anos, trouxe mais esperanças do que pertences. Possuía apenas um caminhão que ele mesmo dirigiu de Humaitá (RS) até estas paragens. No caminho, tombou-o e o seu pai ficou ferido gravemente. Percalços à parte, instalou-se em Senador Guiomard e começou a trabalhar em uma piçarreira. Também foi comerciante e trabalhou com serviços de contabilidade.

Um dos seus tios, Marcelino Schafer, juntamente com outros gaúchos, já havia fundado o PDT no Acre. Em 1986, Tchê, apelido dado pelos acreanos, participou de um encontro da juventude pedetista com o lendário Leonel Brizola, no Rio de Janeiro. “Eu tive o privilégio de ter conhecido ele pessoalmente”, recordou o político, que entrou para a vida pública de uma forma pouco convencional.

Ele estava em uma igreja católica quando o padre fez um sermão no qual afirmava que, para os cristãos serem verdadeiros, precisavam fazer obras. “Naquela época eu mexia com caminhões-pipas. Toda terça-feira eu levava dois caminhões e distribuía água para os moradores do bairro Montanhês e depois no Jorge Lavocat”, contou ele, ressaltando que a ação era desprovida de qualquer intenção política.

Um morador o chamou para tomar um café e sugeriu que ele entrasse para a política. “Eu levei na brincadeira e deixei aquela conversa pra lá. Um tempo depois, aquele mesmo morador insistiu na conversa e aquilo me chamou a atenção. Então fui procurar um partido, que foi o PSDC. Fui candidato a deputado estadual e me elegi juntamente com o Chico Viga”, relembrou.

Luis Tchê ficou na Assembleia Legislativa do acre (Aleac) por três mandatos consecutivos (2003/2006, 2007/2010, 2011/2014). Perdeu o pleito seguinte para deputado federal e voltou a se eleger deputado estadual nas últimas eleições. É também presidente do PDT, orgulhando-se de dirigir um dos partidos mais estruturados do Acre.

Apesar de ser egresso da Frente Popular do Acre (FPA), recebeu o convite para ser o líder do governo Gladson Cameli. Habilidoso e experiente, conseguiu consolidar uma bancada de sustentação e, ao mesmo tempo, articular espaços para todas as forças políticas no Poder. “Estamos respirando ares de liberdade e democracia”, destacou o político.

Quanto à administração de Gladson Cameli, apesar de alguns atropelos no campo político, Tchê considera os seis primeiros meses como positivos. Acredita que o agronegócio irá alavancar a economia acreana e atribui ao preservacionismo a sua estagnação. Na sede do partido, ele recebeu a reportagem do AC Jornal e concedeu a seguinte entrevista:

“Agora respiramos liberdade. Quanto à economia, com o advento do agronegócio, estamos caminhando para a criação de um modelo econômico capaz de gerar riqueza e trazer o tão sonhado desenvolvimento”

 

AC jornal – Como é ser líder de um novo governo depois de ter sido, por muito tempo, integrante da FPA?

Luis Tchê – Foi uma surpresa pra mim. Nunca fui adepto do quanto pior melhor. Eu tenho muita gratidão ao povo acreano que me deu o quarto mandato. Tudo que eu puder fazer para melhorar a vida das pessoas não hesitarei. Vou cumprir essa missão com esse propósito.  

AC jornal – Como o senhor avalia o atual governo?

 Luis Tchê – Uma coisa que me chama atenção no governo do Gladson é a aceitação de críticas. Isso é extremamente positivo e mais fácil de corrigir os erros. Foram 20 anos de um governo totalmente aparelhado. Com essa história de despetizar, nós perdemos muitos técnicos qualificados. Isso atrapalhou muito o início do governo. Outra coisa foi a reforma administrativa, que deveria ser feita com o carro andando, mas a fizeram ainda no governo do Tião. Politicamente, agora respiramos liberdade. Quanto à economia, com o advento do agronegócio, estamos caminhando para a criação de um modelo econômico capaz de gerar riqueza e trazer o tão sonhado desenvolvimento.

AC jornal – Quantos deputados integram a base de sustentação do governo?

Luis Tchê – Temos dezesseis deputados. Nunca tivemos na Casa a formação de três blocos: base, a oposição e independentes. Isso jamais aconteceria nos governo da FPA. Todas as matérias de interesse do governo foram aprovadas pelos deputados independentes. Quase todas as proposições dos independentes foram aprovadas pela Casa. Na aprovação da LDO, provamos que o mais importante de tudo é o diálogo. Não houve tratoramentos. O que houve foi a construção de consensos. E tudo foi aprovado por unanimidade.

AC jornal – Qual é a sua avaliação do governo Bolsonaro?

Luis Tchê – Além de ser um governo atrapalhado, não está cumprindo o que prometeu em campanha. Essa previdência é um exemplo. Somos contra esse texto-base que foi aprovado. Se ele tivesse feito a reforma tributária primeiro seria melhor. O PDT sempre teve um projeto para a previdência. Esse atual tira dos mais pobres para dar para os mais ricos.

AC jornal – O PDT deliberou que a sua bancada votaria contra o texto-base. Oito deputados desobedeceram e votaram com o governo, inclusive o acreano Jesus Sérgio. O partido vai expulsar esses rebeldes?

Luis Tchê – A minha posição é clara. Não podemos perder oito deputados de uma bancada de 27. Expulsando o parlamentar perde o mandato. É preciso haver uma penalidade mais branda, tipo uma advertência, para depois tomarmos medidas mais duras. Persistindo a desobediência partidária, aí podemos pedir o mandato porque o deputado não seguir os estatuto do partido. No governo da Dilma nós comentemos esse erro.

AC jornal – Como o senhor avalia o atual descrédito da classe política com a sociedade?

Luis Tchê – Bom, eu vou falar do meu estado. Se o político não administra bem a coisa pública, ele vai sofrer todo tipo de ataque. É preciso cuidar como se fosse a própria casa. Alguns políticos, infelizmente, olham apenas para os umbigos deles. O cara é deputado e acha que aquilo não vai acabar. Você está deputado. Hoje, com as mídias sociais, as pessoas estão acompanhando mais.  A eleição do Bolsonaro foi totalmente atípica. As pessoas prometem mais do que podem fazer. Eu sou um político que tenho desgaste porque sou deputado, presidente do partido e líder do governo.   

Luis Tchê – Qual é o tamanho do PDT no governo?

 Eu digo aqui no partido que é na caminhada que conhecemos as pessoas. Nesses meses nós mostramos o nosso jeito de ser. Nós ainda vamos sentar para saber o tamanho do PDT no governo. O que queremos no governo é fazer gestão. Vamos começar pequenos, mas vamos crescer porque temos um dos partidos mais organizados do Acre.

AC jornal – A relação entre os deputados é quase sempre conflituosa. Como está o clima nesta legislatura? 

 Luis Tchê – Muito bom, excelente eu diria. Os vinte e quatro deputados estão sendo protagonistas. Todas as comissões foram distribuídas de forma a respeitar todas as forças políticas. Sem contar que o governador dá essa orientação, mesmo porque ele veio do parlamento.

 

    

 

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