“Cracolândia” avança no Centro de Rio Branco, espanta clientes e comerciantes ficam na bronca

REDAÇÃO

Uma Cracolândia (Nome alusivo que se dar para uma grande concentração de usuário de Drogas) chama atenção por sua localização bem no centro de Rio Branco. Depois da derrubada do antigo prédio onde funcionava a delegacia da Polícia Federal, os usuários que faziam ocupação do mesmo para consumir os mais diversos tipos de entorpecentes migraram para outro prédio abandonado. O espaço é de um posto de combustível desativado, que conta ainda com as ruínas de uma galera comercial, localizada na Rua Floriano Peixoto, ao lado do tradicional Hotel do Papai.

Um comerciante vizinho ao local nos procurou para fazer a denúncia. O mesmo alega que tem prejuízos, pois muitos clientes deixam de adentrar em seu estabelecimento, por medo de assaltos e até mesmo pelo mau cheiro causado pela fumaça de entorpecentes, além de fezes e urina. Eles ficam dia e noite ali. São dezenas que passam durante todo dia. “Rola de tudo, até prostituição”, o local está completamente abandonado”, desabafa o senhor que preferiu não se identificar.

Outro proprietário de um imóvel bem próximo denuncia o descaso das instituições de poder com o que ele chama de ‘Cracolândia de Rio branco’. Isso é uma vergonha gente, já fizemos inúmeras denuncias e parece que não sentem vergonha de tudo isso. Aqui ao redor estão os principais hotéis da cidade, muitos que aqui chegam, tem essa triste realidade como cartão postal da nossa capital. O que um turista vai pensar?”, indaga, revoltado.

O que mais chama atenção no local é a bocada de venda de drogas, bem ao lado do prédio, nos fundos do Hotel. “É grande o vai-e-vem de pessoas sujas, desnutridas e totalmente sem forças para sentir qualquer constrangimento”, alerta uma funcionária pública que estaciona o seu veículo diariamente nas proximidades. Ela disse que eles cuidam de dezenas de automóveis e recebem pequenas gorjetas, o que acaba garantido a sustentação do vício.

Os policiais que fazem as rondas pela região central da cidade confirmam que é cada vez mais crescente e alarmante a situação em que Rio Branco Chegou. Um deles fala a nossa reportagem que todos os dias levam usuários para as delegacias, em decorrência de pequenos furtos e outros delitos cometidos, tendo como objetivo garantir a compra de drogas. “Quase não adianta nosso trabalho, pois levamos homens que se transformaram em verdadeiros Zumbis, fruto do uso desenfreado das substâncias químicas”, diz um PM que faz um alerta: “Se nada for feito vamos testemunhar o caos social num período bem curto”.

Por fazer fronteira com a Bolívia e o Peru, o estado do Acre se tornou rota de passagem do tráfico de drogas. A falta de fiscalização de nossos limites territoriais vem transformando o estado em local estratégico das facções e demais organizações criminosas que atuam no Brasil. 

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) já foram de suma importância para tratar viciados de drogas, mas parecem não mais dispor de condições humanas e muito menos estruturais há um bom tempo.

A ONU elevou a sua estimativa de mortes vinculadas ao consumo de drogas no mundo para 585 mil em 2017, acima dos 450 mil óbitos que ocorreram em 2015. Essa alta se deve a uma melhor compreensão da situação global graças a novos dados, como os de Índia e Nigéria. Segundo o Relatório Brasileiro sobre Drogas, no levantamento de dados em 2007, 4,3 óbitos por 100.000 habitantes no Brasil são relacionados ao uso de drogas. Os presídios estão abarrotados de condenados por Tráfico de Drogas, é 81% dos detentos, um percentual que reflete a guerra urbana instalada de norte a Sul do Brasil

 

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