Ninguém ouviu o aposentado na busca desesperada pelo neto Rhuan: para as autoridades, se ele estava com a mãe, ele estava bem

REDAÇÃO

Dezoito de dezembro de 2014. Rhuan Maicon da Silva Castro, então com 4 anos, estava devidamente asseado e bem vestido, à espera da mãe. Era uma rotina semanal Rosana Auri da Silva Cândido buscar a criança na casa dos avós paternos dele. Foi a última vez que seu Francisco das Chagas de Castro viu o neto com vida. A despedida foi com um beijo e um abraço, afeto recíproco entre os dois.

Até aquele dia, absolutamente nada indicava que a mulher fosse capaz de asfixiar a criança com exagerada quantidade de acetona, aplicar-lhe 13 golpes de facão, cortar o seu pescoço, remover a sua pele, esquartejar e esconder as partes menores do corpo na mochila de aula do garoto. Assim, como se desossa uma arrouba num açougue qualquer
“Por cinco anos, eu dei abrigo a essa mulher, ainda grávida. Eu levava ela pra aula, para fazer compras, na garupa da minha moto. Eu dei dinheiro, dei um lar para ela, que era mãe do meu neto, quando meu filho disse que não queria mais nada com ela”, lembra seu Francisco. “Eu criei um monstro”.

Fria, calculista e sem qualquer respeito à dor e à generosidade do ex-sogro, Rosana roubou Rhuan. Os planos da mulher eram abrir uma igreja voltada ao público GLBT. Àquela altura, ela já estava em relação marital com Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa, a companheira cúmplice de um dos mais hediondos crimes desse século.
Passaram quase dois anos sem notícias do garoto. Seu Francisco gastava o que não tinha, de R$ 200,00 a R$ 300,00 por semana para pagar um investigador. Foi quando começou a ter a ajuda privilegiada de um funcionário da Caixa Econômica federal.

“Eu sabia em qual caixa eletrônico eles sacavam a pensão da menina (a filha da companheira de Rosana). Fui na polícia, fiz boletim de ocorrência por sequestro, abrimos processo na justiça, procuramos o conselho tutelar do Acre e de Goiás. As autoridades diziam que sem a presença da mãe o avô não tinha autoridade para fazer nada. Meu Deus…..”, diz o avô aos prantos. “Eu tinha razão, mas estava impotente, contra um sistema bruto, injusto, que não quis me ouvir”, chora ainda mais o homem que completou 63 anos neste sábado (15). Pra que serve Defensoria Pública, Juizado da Infância, polícia?”, se questiona.

Impotente mas sem perder a esperança jamais, ele viajou sozinho para Anápolis (GO). Lá estavam morando o casal e as duas crianças, segundo indicou o detetive particular contratado pela família. Foi uma viagem sofrida, sem dinheiro, sem sucesso. Voltou a Rio Branco, mas não desistiu.

“É preciso ver os dois lados das coisas. Tem mãe que gera, cria, mas também mata. O amor do avô é incondicional também. Alguém duvida?”. Me diziam (as autoridades policiais) que se o menino estava com a mãe ele estava bem. Mas eu sabia que não era bem assim”.

Perguntado se perdoaria a mãe assassina, Chaguinha respondeu assim:
“Quem perdoa é Deus. Eu, jamais. Eu quero condenação máxima. Se ela sair da cadeia eu não sei do que sou capaz……”

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