Para salvar empregos, comissionados são obrigados a provar doações em conta bancária de Marcus Alexandre

REDAÇÃO

Funcionários comissionados do Estado do Acre deram início a uma série de denúncias contra chefes de repartições e secretários. Os trabalhadores estão sendo obrigados a efetuar depósitos na conta do candidato ao governo pelo PT, Marcus Alexandre. Os dados bancários para “alimentar” o fundo eleitoral do candidato são repassados individualmente, em reuniões privadas. A mais recente ocorreu na sexta-feira, após o expediente, na residência da coordenadora Administrativa e Operacional da Funtac, Maria Rozilda Nascimento. Os diretores Suelen Pontes e Maurilio Biagi Filho estavam presentes.

A reportagem do acjornal teve acesso a um documento produzido especialmente para ensinar os comissionados da Funtac a efetuar depósitos identificados, sejam por caixas eletrônicos, seja por meio de transferência bancária (veja na ilustração). As doações são calculados sobre o que foi declarado de Imposto de Renda na Receita Federal, o que representa um furo considerável no rendimento do trabalhador. Os doadores estão obrigados a apresentar o comprovante de depósito, do contrário entrarão para uma lista negra de servidores “desprestigiados”, seriamente ameaçados em seus empregos mesmo que o PT ganhe as eleições.

Todos os passos são explicados minuciosamente, para que o candidato não tenha problemas futuros com a justiça, uma vez que as doações devem, obrigatoriamente, ser comunicadas ao TRE em até 72 horas. “Não basta nos obrigar a balançar bandeira no sol quente. Agora querem tirar parte do nosso salário para bancar a política alheia. Absurdo”, reclamou uma CEC cuja identidade o acjornal não irá revelar.

“Lanche depois do almoço”

A diretora da Funtac foi localizada no início da manhã desta segunda-feira pelo jornalista Assem Neto. Em entrevista gravada, Maria Rozilda tentou negar que tenha feito reunião na sua casa para orientar os comissionados. Ao ser informada que a reportagem foi procurada por comissionados extremamente descontentes – e que tem em seu poder gravações e documentos -, a diretora da Funtac deu a seguinte declaração: “eu recebi amigos para um lanche depois do almoço. Foi apenas isso. Ninguém está sendo obrigado a nada”. Questionada sobre a distribuição do “passo a passo” explicando como cada comissionado deveria fazer para confirmar as doações, Maria Rozilda desconversou. “Na minha casa eu recebo quem eu quiser”.

Abaixo, publicamos o diálogo entre dois comissionados coagidos a doar dinheiro para Marcus Alexandre. Na conversa fica claro que um outro grupo de comissionados lotado em outras secretariam combinam denúncias anônimas contra o PT e o governo. Eles estão dispostos a gravar as reuniões e desmascarar os chefes de repartições que ameaçam os trabalhadores caso não haja contribuição para a campanha.

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