História nunca revelada: Marcus Alexandre devolveria superpoderes a Gilberto Siqueira, que deixou o Acre rompido com Tião Viana

REDAÇÃO
Gilberto viajou ao Acre para abraçar o afilhado, na posse de Marcus como prefeito da capital

No primeiro semestre deste ano uma informação chegou à cúpula da campanha do candidato ao governo pela Frente Popular, Marcus Alexandre. A informação, na verdade uma ordem superior, era de que o Plano de Governo de Marcus Alexandre não deveria ser aprovado, em hipótese alguma, sem antes ser revisado pelo engenheiro civil Gilberto Siqueira, ex-homem forte do então governador Jorge Viana desde os tempos da sua gestão na prefeitura – e que tinha sido exilado do Acre pelo governador Tião Viana, junto com o ex-governador Binho Marques, na primeira semana da sua gestão, no longínquo janeiro de 2010.

Era o primeiro sinal de que, em um eventual governo de Marcus Alexandre, o lobista e porta voz dos negócios das parcerias públicas privadas, dono de uma das mais influentes empresas de consultoria do país no governo de Dilma Roussef, com forte atuação em Rondônia, Mato Grosso, Brasília e São Paulo, voltaria a dar as cartas no governo do Acre com mão de ferro. A grande surpresa da cúpula da campanha foi descobrir que tal ordem fora dada expressamente por Marcus Alexandre, afilhado político de Gilberto Siqueira e hoje disputando o cargo mais importante da administração estadual. O exilado de outrora voltava ao topo do poder de mando na pirâmide petista.

A gratidão de Marcus Alexandre a Gilberto Siqueira remonta ao início dos anos 2000, quando chegou ao Acre, como ele mesmo costuma contar: com uma minúscula mala e alguns livros e foi trabalhar com Siqueira na super secretaria de planejamento do primeiro mandato de Jorge Viana. O filho tornou-se maior que o pai político, mas jamais deixou de reconhecer seu apreço e não havia melhor forma de recompensar todo o cuidado e atenção que Siqueira lhe dera nos primeiros dias no Acre que lhe garantir a volta triunfal ao Estado.
Para não chamar a atenção sob a importância do padrinho no plano de governo se criou uma estratégia de colocar o nome de Siqueira estampado entre os mais de 70 “especialistas” que compuseram a equipe. Todos sabiam, porém, que não havia ali uma vírgula sequer que estivesse colocada sem sua autorização.

Nas poucas vindas ao Acre – após ir embora em 2010, com a eleição de Tião Viana -, Gilberto foi até sondado por políticos da oposição, dado o curriculum de executivo dos mais requisitados na Amazônia. “Obrigado, mas vou fazer as minhas consultorias”, respondeu agradecido. À época, ainda repercutia o elogio feito pelo recém reeleito presidente Lula: “me orgulha saber que o relatório de transição de governo mais completo e preciso seja do meu amigo Gil”, afirmou Lula, ao reassumir a República em meio à boataria sobre Jorge ser ministro ou Gilberto ser presidente do Basa, do BNDES ou da Suframa. O Acre estava numa evidência supimpa.

Veio Binho. E foi-se o Binho. Jorge se mandou para a quarentena e Gil conheceria melhor quem, na verdade, acabara de ser eleito governador dos acreanos: Tião desfez praticamente todo o planejamento que o irmão pensava que seria aproveitado. A máquina, de fato, estava azeitada; o estado, adimplente; o super poderoso secretário de Planejamento entrava na sala de qualquer autoridade palaciana sem ser anunciado. Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e outras instituições mundo afora eram parceiros em potencial nosso. Ou seja, estávamos pronto para crescer.  Mas, ao contrário, despencamos em quase todos os indicadores sociais de referência para tornar o estado competitivo, como se vê hoje. Siqueira não esbravejou, como muitos esperavam, mas arrumou as trouxas e picou a mula ao perceber que Tião não lhe daria o prestígio de antes. O fracasso do governo Tião e as decisões estabanadas do chefe do Executivo renderam brigas homéricas entre irmãos. Se tudo que a central de boatos propaga for verdade, o épico Fúria de Titãs nada seria.

Óbvio: se não servisse ao PT, partido ao qual tem ligações umbilicais, a outra legenda jamais. Assim pensava Siqueira. E se não pudesse contribuir com Marcus Alexandre, seria mais viável em todos os aspectos, inclusive financeiramente, prestar consultorias bem longe. Confúcio Moura, governador de Rondônia, o recebeu de braços abertos. A família Capeberibe, no Amapá, então, nem se fala. Siqueira ficou em trânsito. Indo e vindo. Na verdade, sumiu do trecho, e no trecho. Não teria cobrado um vintém para pôr suas digitais no plano e governo. Mas teria retribuído com um largo sorriso o convite para reassumir um pasta estratégica, com poder de mando jamais visto, caso o PT vencesse as eleições.

E agora, preso, o ex-todo poderoso secretário do Acre tem a solidariedade de muito poucos. Aliás, os amigos da época lhe deram as costas, exceto o pupilo que não esconde o sentimento de gratidão. Mas nunca é demais lembrar algo essencial em uma prisão como a de Gilberto Siqueira: todas as acusações que pesam sobre ele ainda estão no campo das especulações. A ele cabe o direito de defesa e contestação das acusações. Até porque, até que se prove o contrário, ele é apenas, e somente apenas, suspeito de seu o porta voz da Operação Arauto.

Calma com as ilações. Diferentemente do candidato petista, apontado, oficialmente, como o grande orquestrador do esquema que desviou quase R$ 1 bilhão do erário quando diretor do Deracre.

 

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