Cabo da PM, delator da Operação Hefesto, está preso no Bope. Publicitária, também detida, tem refeição privilegiada

REDAÇÃO

O militar Ed Aguiar, delator de um esquema de suborno a serventuários da Justiça do Trabalho, está parcialmente incomunicável numa sala do quartel do Bope, em Rio Branco. Ed é cabo da PM-Acre e está preso preventivamente por ordem do juiz federal Herley da Luz Brasil. Ele foi sócio da VT Publicidades, da publicitária Charlene Lima, também presa na operação Hefesto, desencadeada pela Polícia Federal na última quinta-feira. Após romper com Charlene Lima, Ed passou a cobrar na justiça uma soma não revelada pelos anos em que trabalhou na empresa. A ação trabalhista, apurou a PF, provocou reações criminosas por parte de quatro pessoas envolvidas (e presas), entre elas a advogada Tatyana Campos e a candidata a deputada estadual Andreia Púpio (sobrinha de Charlene).

O suborno a funcionários da justiça foi confirmado por um magistrado, que fez a defesa de seus subordinados ao saber que representantes da VT Publicidades haviam oferecido dinheiro para evitar que o processo fosse sentenciado. A delação inclui, segundo a PF, fraude em licitações públicas, mais precisamente entre a publicitária e agentes públicos que trabalham na Assembléia Legislativa. O juiz Herley da Luz destacou que não há políticos envolvidos, mas determinou uma segunda investida dos agentes federais, na sexta á tarde, quando computadores e documentos foram apreendidos na Aleac. O presidente da Casa, Ney Amorim, emitiu nota em que apóia integralmente a investigação e anuncia que os responsáveis deverão ser responsabilizados.

O cabo militar virou alvo de uma investigação interna, com procedimento aberto na Corregedoria da PMAC. O comando não comenta o assunto, preferindo aguardar parte das investigações para, no caso de culpa, dar prosseguimento ao IPM (Inquérito Policial Militar). O cabo tem acesso limitado aos corredores do batalhão, mas sob vigilância de militares que se revezam dia e noite. Apesar de preso, ele contribui com informações cruciais para as investigações.

A publicitária foi levada para uma sala do Pelotão Ambiental. A reportagem de acjornal apurou que Charlene se negou a comer as refeições servidas aos presidiários, como determina a Lei de Execuções penais. Qualquer alimentação diferenciada somente deve ser servida com ordem judicial e mediante prescrição médica ( como, por exemplo, em caso de dieta específica). Neste domingo, esta regra foi quebrada. Uma alimentação mais sofisticada chegou ao pelotão para a publicitária. As agentes penitenciárias, conhecendo o procedimento, barraram a entrada das marmitas. Mas uma ordem superior acabou abrindo exceção para a regra e Charlene pôde, enfim, se alimentar como se estivesse em casa. O episódio vazou num grupo de whatsapp restrito, em que são membros apenas agentes que fazem a segurança dos presidiários. A reportagem não conseguiu localizar a direção do grupamento militar e não conseguiu contato com a assessoria da juíza Luana Campos (Execuções Penais).

 

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